| GABRIEL,
O PENSADOR, esteve em nossos estúdios conversando com Carlos Garcia
sobre a evolução do pop rock Brasil nesses últimos
23 anos, e também falando sobre seu novo disco, “Cavaleiro
andante”
| Carlos
Garcia – Um período que eu considero negro para
o Pop Rock Brasileiro foi o modismo da lambada, do axé, do
pagode, do sertanejo, sem criticar, mas como toda a onda, todo o modismo
massacra tudo e todos. Houve alguns que seguraram a bandeira nos anos
90, o próprio Cidade Negra, Skank, que teve surgimento em 93,
Raimundos já em 94 em diante, mas foram poucos, os espaços
eram raríssimos, então esse público da Rádio
Costa Verde Fm tem uma identificação muito grande com
tudo ao que se diz respeito ao Pop Rock Nacional e por isso estamos
fazendo esse fim-de-semana especial dos 23 anos do Rock Brasil e você
se enquadra, mais do que nunca. Seu surgimento em 93, foi em 92, com
“Tô feliz, matei o presidente”, que rolou na antiga
RPC, né? |
| Gabriel:
É, aquela música foi em 92, a primeira. |
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| Carlos
Garcia: Como a música chegou à rádio? |
| Gabriel:
A gente mandou modesto, porque eu conhecia os caras e teve um que
falou,: “Olha, eu conheço o Eduardo Andrews que programa
lá na RPC e eu vou mandar pra ele ouvir, só que está
muito louca essa letra, essa música é muito doida, não
deve tocar não, mas vamos mandar pra lá. Aí ele
foi corajoso, pegou aquela letra... |
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Carlos
Garcia: Do Collor ainda, né? |
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Gabriel:
É, do Collor no poder ainda, mas a sociedade já cansada
das denúncias todas. E ele foi ousado, falou comigo que ia
tocar e ia colocar no ar. Em 5 dias a música foi censurada
mas foi muito pedida, ficou em primeiro lugar, foi uma novidade... |
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| Carlos
Garcia: Ela chamou a atenção da Gravadora Sony? |
| Gabriel:
Não, porquê as gravadoras são meio “cabeça
dura” quando você está começando. Eu tinha
essa história da música ter tocado, ter sido censurada,
e fui a alguns jornais e revistas e até à MTV, pra falar
dela. Quando eu juntei o resto do material que eu tinha e fui mostrar
às gravadoras, não tive tanta abertura assim. Também
não tinha uma fita demo direito, só tinha letras. Então,
na Sony, eles foram mais atenciosos. Foi um cara que nem tinha obrigação
de atender aos artistas novos (Sérgio Lopes, do setor internacional),
que me deu muita atenção e falou comigo: “Gabriel,
você não tem fita demo, você precisa fazer uma
pra gente ouvir, sem contrato ainda. A gente vai conseguir o estúdio
pra você, nele você vai poder ter os recursos todos pra
fazer duas músicas, a gente avaliar melhor e entender melhor
o quê é isso que você está falando, que
vai samplear, que vai não sei o quê, a gente não
conhece bem e vai fazer esse teste! Aí sim que rolou, foi em
93. |
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Carlos
Garcia: Você tem um intervalo de dois e dois anos
por obra. Você acredita que os seus álbuns são
um retrato do que está acontecendo no momento na sociedade,
seja crítica política, social, e se você que
eles ficam levando sua carreira do jeito que você quer mesmo,
cada álbum leva sua carreira para um lado?
Ao mesmo tempo eu fiquei assim pensando, quando eu ouvi o disco
pela primeira vez, estava em São Paulo. O engraçado
é que cada álbum seu parece que retrata uma foto Polaroid
daquele instante. Isso ficou tão bem costurado, no “Ao
Vivo MTV”, como se fosse um álbum só, inclusive
um álbum de inéditas, apesar de ter grandes hits ali.
Você acha que cada álbum seu é uma Polaroid? |
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Gabriel:
Não, eu acho que isso acontece só em algumas músicas.
Tem umas que são mais específicas, falam de uma coisa
até datada ou de um caso específico, ou cita assuntos
do momento. Eu uso, sim, muitas referências dentro das letras.
Há casos que saíram dos jornais ou coisas que a gente
sabe. Por exemplo, na música que se chama “Pega Ladrão”
tem uma tradução em que o cara está falando
da “lista”, “mas eu não vi a lista, não
sei o quê e coisa e tal”. Essa música fala daquela
“lista” do painel de votação da Câmara
dos Deputados. Quer dizer, são coisas e temas do momento!
Na verdade os temas, em si, não são presos a uma época
e sim, eu acho, à maioria. Então na hora em que eu
fiz o “Retrato de Um Playboy-Parte Dois” era uma coisa
de um momento. Na música “Lôraburra”eu
também fiz um verso sobre o caso da menina que matou os pais,
a Suzane. No disco tem coisas que se atualizam com algum detalhe
que muda, com algum improviso, mas no geral eu acho que são
temas que infelizmente ocorrem: o racismo e outras coisas que a
gente pode lembrar. São músicas que marcaram uma época
e que até hoje nos shows são fortes, que a galera
ainda curte!. |
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| Carlos
Garcia: O que você quer ouvir do seu primeiro álbum? |
| Gabriel:
Do primeiro álbum a gente podia tocar uma que nunca mais fiz
ao vivo, tocou muito na época, é “175”,
vamos matar a saudade dela! |
|
Carlos
Garcia: A música “175 Nada especial”
é do primeiro álbum (1993). Esse álbum foi
produzido por Fábio Fonseca? |
| Gabriel:
Foi, essa foi a primeira parceria legal com o Fábio. |
| Carlos
Garcia: Cortando você rapidinho, Gabriel, me desculpa!
Ainda sobre o Fábio Fonseca, ontem nós estávamos
produzindo aqui o especial e eu me lembrei de uma coisa, o Fábio
fez parte do grupo Cinema Mudo, não fez? |
| Gabriel:
É, o Fábio Fonseca era o vocalista na época.
Que legal, nós estamos lembrando de bandas que não poderiam
ter passado desapercebidas! Você me perguntou se ele produziu,
mas eu quero dizer que o Memê também foi muito importante
produzindo a bateria eletrônica, dando idéias. O Fábio
acabou assinando como Produtor mas poderia ser uma espécie
de Co-Produção naquele trabalho. |
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| Carlos
Garcia: - Aproveitando o lance de Produtor, seus três
primeiros álbuns foram produzidos por uma pessoa só,
o Fábio Fonseca produziu duas vezes e o Memê produziu
uma |
| Gabriel:
É, mais o Memê sozinho no terceiro álbum, “Quebra
Cabeça” porquê o Fábio produziu sem o Memê
com ajuda do Márcio Miranda e o Márcio também
foi legal nos arranjos e na programação. E aí
o Memê voltou a trabalhar no terceiro disco, ele mesmo produziu
nos arranjos, programando. |
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| Carlos
Garcia: Uma pergunta que eu quero te fazer: muitas mãos
produzindo, você nunca se atrapalhou com tantas mãos?
No primeiro álbum o Fábio Fonseca; no segundo ele
assinou; e no terceiro, “Quebra cabeça”, e o
Memê; do quarto disco em diante você colocou várias
mãos. No “Ao Vivo MTV “, Yuka e Liminha |
| Gabriel:
O Liminha é um cara muito fera. A gente é muito
cuidadoso, detalhista, então foi legal ter algumas faixas de
outras mãos. Isso porquê enquanto a gente caprichou bem
em 7 ou 8, tinha lá o Paul Ralph indo para outro estúdio,
fazendo outras músicas. Ele mesmo produziu o “Astronauta”,
foi produção dele e do Alex. E aí no quinto disco
foi importante eu ter conhecido o Idal Shure que é o cara que
acabou produzindo esse meu disco agora, o “Seja Você Mesmo
Mas Não Seja Sempre o Mesmo”, junto com o Liminha. Ele
fez as músicas, e eu fiz as letras. O Idal é um americano
que fala muito bem o Português mas não pra escrever letras.
Ele ganhou um Grammy como compositor do Santana. Ele é muito
bom compositor, músico excelente, produtor também, quando
ele produziu o meu disco eu já adorei! Mas ele evoluiu ainda
mais de 2001 para cá na sonoridade. Mais as coisas que ele
estudou, a qualidade do estúdio que ele tem, os músicos
que a gente pôde chamar. Eu fui gravar em Nova Iorque esse álbum,
gravei lá e parte aqui também. |
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| Carlos
Garcia: Eu lembro que em 1995, quando você fez um
show para a Rádio Costa Verde FM em Sepetiba, rolou a música
FDP “Filho da Puta”. Como você lidou com a dificuldade
comercial e de execução do disco “Ainda é
Só o Começo”, traçando um paralelo com
o disco seguinte (o mais vendido), “Quebra Cabeça”? |
|
Gabriel:
Foram um milhão e quinhentas mil cópias, eu nunca
sei direito ao certo mas esse foi realmente o maior faturamento.
O maior sucesso que não tinha dado certo comercialmente mas
que a galera se amarra, que eu também gosto, que é
“Ainda é Só o Começo”. Mas realmente
FDP é uma música cheia de palavrões, tinha
muitas chances de não tocar de modo algum nas rádios. |
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| Carlos
Garcia: Nós colocamos a música como fundo
para criticar aqueles testes nucleares que a França Vinha
fazendo. Colocamos como música de fundo e em dois dias FDP
já era a música mais pedida da programação
da Rádio! |
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Gabriel:
O que é isso, que Legal! Interessante saber desse detalhe,
não sabia que tinha tocado aqui! Legal vocês atenderem
à galera e tocarem a música porquê nas outras
rádios o pessoal pedia e as rádios não rolavam!
|
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| Carlos
Garcia: O que poderíamos ouvir desse álbum,
“Ainda é Só o Começo”? Mas antes
de escolher, você tirou algum proveito das dificuldades do
“Ainda é Só o Começo”? |
|
Gabriel:
Ah, em nunca parei pra pensar numa resposta sobre isso,
mas com certeza é válido. Melhor do que todos os discos
darem certo foi conhecer esse lado, com uma turnê mais fraca,
um disco que não tocou. Isso apesar de a gente ter uma gravadora
forte, que ainda trabalhou em dois clipes. A gente ainda trabalhou
“Estudo Errado” e “Rabo de Saia”. Na época
foi legal, não passou batido, mas não foram músicas
que marcaram para a carreira, comercialmente. Pra alguns fãs
até marcam bastante. Voltando à que música
vamos escutar, eu sugiro “Como um Vício”, música
que fala do hip hop. Ela foi gravada com Leandro e Neurose. O Leandro
produziu uma faixa desse meu novo disco, eu lembro que o Leandro
era um rapper ainda moleque, naquela época, e hoje está
produzindo muito bem, compôs comigo uma música do disco
novo chamada “Tudo na Lente”, e produziu. |
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| Carlos
Garcia: No primeiro disco você não tem samplers
e no segundo você abusou de Sound Garden, Mutantes, Rita Lee,
Gilberto Gil, Azimuth. Gabriel, você não acha que abusou
muito? |
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Gabriel:
Teve uma época em que dei uma maneirada, depois do disco
“Quebra Cabeça”. No primeiro álbum teve
samplers mais de citações, tipo “cale-se”,
tinha uma frase, uma coisa mais marcada. No terceiro álbum
rolou bastante coisa. |
| Carlos
Garcia: No seu primeiro álbum só teve Scrapt
na faixa “Retrato de um Playboy” né, só
de guitarras... |
| Gabriel:
Isso, de guitarras. Mas no segundo disco teve esse lance do Leandro,
que nós vamos ouvir, e o Tito, que participou da turnê
e cantou FDP comigo. |
| Carlos
Garcia: Vamos falar de “Quebra Cabeça”?
Marcelo Memê produzindo, Lulu Santos, Blitz... |
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Gabriel:
Você lembra melhor do que eu, tô impressionado! Eu sou
meio aéreo, acabei de fazer esse novo disco e fico meio aéreo.
Mas é bom lembrar!. |
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| Carlos
Garcia: Lembro que teve um lance de uma crítica,
sobre a importância que ele tinha para aquele momento atual
da Rádio Jovem... |
| Gabriel:
Eu queria falar nesse especial do Pop Rock Brasil sobre aquele
disco, o “Quebra Cabeça”. Eu acho interessante
o que eu faço, no geral! Nós sampleamos James Brown,
só funk, e eu misturei lances diferentes como Blitz, Cazuza
e rolou uma identidade do tipo “pô, o cara faz rap e hip
hop mas entra muito mais nesse universo do Pop Rock. Tem um ecletismo
que eu acho legal, a gente consegue identificar quem está na
mesma onda, seja um cara mais roqueiro ou seja, o pop do Skank, ou
um cara que faz rap mas está com as mesmas referências!
Acho que aquele disco marcou um pouco isso! O segundo tinha o Tito
e o Leandro que eram os rappers participando e desse eu trouxe outras
coisas que fazem parte das minhas raízes musicais que a gente
citou anteriormente. |
 |
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Carlos
Garcia: Esses caras, Legião Urbana, Lulu Santos,
tiveram importância para você, que estava crescendo? |
| Gabriel:
A própria Blitz porquê eu gosto de um som descontraído,
irreverente, eu gosto de brincar nas músicas e a Blitz eu sempre
curtia muito! Fora isso, Paralamas do Sucesso, Titãs, Lobão... |
| Carlos
Garcia: Picassos Falsos, lembra? |
| Gabriel:
Lembro! |
| Carlos
Garcia: O que mais você lembra desses 23 anos do
Pop Rock Brasil? |
| Gabriel:
Capital Inicial, Plebe Rude... |
| Carlos
Garcia: Inclusive o guitarrista do Picassos Falsos tocou
contigo, não tocou? |
| Gabriel:
É, o guitarrista Gustavo tocou muito tempo comigo! |
| Carlos
Garcia: Vamos ouvir o que desse terceiro álbum? |
| Gabriel:
Ah, vamos curtir “Bala Perdida”, que tocou muito!
(...) |
| Carlos
Garcia: A partir do terceiro disco você começou
a entregar seus álbuns em várias mãos... |
| Gabriel:
É, mas eu estava bem centrado na parceria com o Liminha
nas músicas. |
| Carlos
Garcia: Mas você sempre foi um bom moço, e
estava de saco cheio de Axé, Pagode, de Bunda de fora... |
| Gabriel:
Não, só que a cultura toda voltada para isso dava aquilo
que você falou. Quando um modismo é igual fica cansativo.
E sem querer achar que aquilo tudo é crime, uma banda de axé
não é nada mal, mas eu criticava os excessos da exploração
das mulheres e o exemplo disso como cultura. Então a gente
fez uma crítica na capa e mais que isso, eu gravei com a Fernanda
(Abreu) no “Nádegas a Declarar”. Cada um tem sua
liberdade de criar, trabalhar, eu já até toquei com
o “Ë o Tchan” na Bahia. Eu não sou um cara
radical como o Lobão que chega detonando! É o meu jeito,
mesmo, não sou dono da verdade. Então faço críticas
medidas e conscientes. |
| Carlos
Garcia: Você acha que o teu público cresceu
contigo? |
| Gabriel:
Interessante, tem uma galera que me acompanha desde cedo... |
| Carlos
Garcia: Como você acha que eles encaram o fato de
você convidar Adriana Calcanhoto, Lenine, Daniel Gonzaga,
convidar o Barão Vermelho, Detonautas, Blitz. Tudo bem, tem
a ver, porquê eu não te encaro como hip hop, te vejo
como Pop. Mas como o pessoal te encara assim, quando você
chama Daniel Gonzaga, Adriana Calcanhoto, até mesmo o Moreira
da Silva? Porquê quando você chamou não estava
nessa onda de exaltar gueto, o samba marginal que está tendo
agora! |
| Gabriel:
Não, era outra idéia, Era misturar, até eu fiz
uma música dele. Na verdade duas: uma era “O Amigo Urso”
e a outra “A Reposta do Amigo Urso” e não era assim
nada planejado como marketing e também não penso também
como é que o público vai encarar, são coisas
que eu curto. |
 |
|
Carlos
Garcia: E como é que você vê isso na
sua carreira? |
| Gabriel:
Eu acho que a galera vê mais o resultado daquela música,
então por exemplo “O Brasa” é uma música
que é bem longa, bem louca, não cabe no show. Ela é
com Lenine, e muita gente gostou. Principalmente a galera que mora
fora ou já morou fora entendeu bem a onda, a dúvida
se tem vergonha do Brasil ou se morre de saudades mesmo. O cara que
vai morar fora (eu nunca morei fora, mas tive a oportunidade de viajar).
Então a gente observa as coisas, de longe, vê tanta coisa
boa que a gente só tem aqui e também tanta coisa que
poderia ser muito melhor. E eu chamei o Lenine justamente por ele
ser um cara que viaja muito para fora e também pela brasilidade
musical dele. E vou fazendo assim, nesse disco agora veio a Negra
Lee, Detonautas, Adriana. Com a Adriana Calcanhoto foi uma participação
muito bonita mas quando ela foi chamada a música já
estava feita. Ela só veio interpretar comigo, uma música
que a gente lançou já em Portugal e não tinha
lançado no Brasil ainda, é a música “Tás
a Ver”. Tem um videoclipe no cd, é o que o Estêban
dirigiu junto comigo. Esse clipe não vai ser trabalhado, quem
quiser assistir põe no computador e assiste |
 |
| Carlos
Garcia: Vamos ouvir o quê? |
| Gabriel:
Cara, põe a música do Cantão que é a música
que fala de uma época da minha vida, inclusive há um
cara que faleceu recentemente, e o Bila. O cara que morreu não
tem nada a ver com a violência, a morte dele foi problema de
saúde, ele era um cara muito querido da gente, ele era um bodyboarder
, e ao Valtinho, que faleceu num vôo de asa delta. (...)
Gabriel:
Até fiz um lance com o IRA, no Altas Horas Especial de São
Paulo, no Aniversário de São Paulo. Eles montaram
a música “Feliz Aniversário, Envelheço
na Cidade” e eu mandei uma letra que eu tinha feito só
pra isso lá!
|
 |
| Carlos
Garcia: No disco “Seja você Mesmo mas não
Seja Sempre o Mesmo”, você não acha que o Liminha
não se empolgou muito nesse disco? |
| Gabriel:
Você sabe que o Liminha é baixista, mas ele estava empolgadão
com as guitarras, ele é fera! Ele se empolgou, sim, mas eu
gostei, porquê essa parte mais Rock n’roll quando a gente
toca ao vivo é o bicho, me amarro, mas quem começou
com aquele disco ali, com o rock foi o Ital, que é esse produtor
que a gente falou antes, que produziu o meu disco novo, “Seja
Você Mesmo mas não Seja Sempre o Mesmo”. Foi o
“Até Quando”, a primeira música que caiu
pro rock. E uma curiosidade, é uma das minhas músicas
preferidas e dos fãs também, marcante na carreira e
ela não estava entre as letras. Eu não estava prevendo
gravar aquela música e um dia o Ital comentou: “Pô
me mostra mais umas coisas aí, com uma métrica diferente,
com mais espaço” e eu falei: “Tem essa aqui, Não
Adianta olhar pro Céu” que tinha uns espaços que
não eram comuns na minha maneira de escrever, ele gostou e
começou a fazer o lance do piano, eu nem imaginei que ele estava
pensando em rock, em guitarra suja. Ele pediu pra botar a guitarra
e eu fiquei animado com a música. Eu gravei emocionado também
porquê eu estava querendo desabafar muita coisa mesmo, do Brasil,
com Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães, aquelas coisas
todas rolando e aí sendo a primeira aparição
do nosso rock ali, era o Liminha. |
 |
| Carlos
Garcia: Qual dessas músicas teve a participação
dos Raimundos, ou só do Digão? |
| Gabriel:
Eu tenho o clipe dessa música, mas é só
o Digão com o Bacalhau (batera do Rumbora). Ele fez uma música
comigo e arrebentou na bateria. Ela fala sobre drogas e eu fiz também
algumas frases com alguns conceitos de um psiquiatra amigo meu, Merinho
Pereira, e ele entrou também como autor da música. O
clipe foi dirigido pelo Oscar Rodrigues Alves que é o mesmo
que dirigiu “Até Quando”. |
 |
| Carlos
Garcia: Nesse intervalo de dois anos você teve bastante
tempo para pensar no que ia fazer, não? |
| Gabriel:
É, apesar de eu me dedicar bastante às turnês,
tive tempo de escrever, de selecionar mais as músicas. Não
vou dizer que as pessoas façam isso de propósito, mas
acabam lançando discos que tem algumas músicas que parece
que o cara fez sem interesse, algumas caprichadas e outras de qualquer
maneira! Eu dou importância e o mesmo peso a cada faixa, e,
se vacilar na última hora e eu não estiver satisfeito
com uma música eu refaço porquê não quero
me envergonhar depois! Vamos ouvir “Tem alguém Aí”,
que a gente comentou, com o Digão e com essa galera!
(...)
|
 |
|
Carlos
Garcia: Gabriel, Ao Vivo MTV, teve receio? |
| Gabriel:
Não, eu estava empolgado, foi uma época em que os “Ao
vivo” estavam sendo bem-feitos. O cara que ia dirigir o DVD
também era um cara esperto, gostei dos papos que eu tive com
ele, da linguagem que a gente tentava fazer; receio não, mas
eu tive dificuldade pra selecionar as músicas, “O que
vai representar cada época, cada disco...?” |
 |
| Carlos
Garcia: Você não deixou nem um disco de fora? |
| Gabriel:
É, eu peguei um pouco de cada e acabei me empolgando com a
idéia de recriar as músicas, de fazer arranjos novos,
mudar os instrumentos, que era até uma necessidade. Eu mesmo
ouvi minhas músicas de outra maneira, todas foram tocadas de
uma forma bem diferente, bem mais elétricas, diferentes das
originais. Eu querendo também fazer alguma coisa nova, sabia
que os fãs estavam querendo e há dois anos não
pintava novidades, eu coloquei três inéditas, uma com
Yuka e Liminha. O Yuka produziu duas faixas e o Liminha assinou a
produção do disco, mas o Perna Cepas foi muito importante.
Foi o cara que produziu “Tás a Ver”, coordenou
muito bem os ensaios, principalmente na parte acústica dividindo
as funções com Liminha, assinou a co-produção
de algumas faixas... |
 |
|
Carlos
Garcia: É verdade que no “Ao vivo MTV”
você só se sentiu mais à vontade no segundo
dia, que “era só o povão”? |
| Gabriel:
Acho que não foi muito por causa do público porquê
eu não faço distinção. Mas sabe, no primeiro
dia era curtição, muitos convites pra rádios
comunitárias, foi o bicho. E no segundo dia de gravação
foi diferente. Eu rendi melhor porquê já tinha passado
as músicas todas no primeiro, já tinha visto que as
novas tinham sido mais pedidas como “Retrato de um Palyboy Parte
Dois”. Uma música que já era um clássico
da minha obra, eu falei: “Bom, vou fazer Retrato de um Playboy
Parte Dois”, tem gente que pode não gostar, mexer com
alguém. Aí, quando eu cantei a galera mandou “de
novo, de novo”, e eu vi que no primeiro dia tinha rolado bem!
Mas o que valeu mesmo pra gravação foi esse segundo
dia! |
 |
|
Carlos
Garcia: Como é que surgiu o “Cara Feia”? |
| Gabriel:
E essa sim é uma daquelas que você falou que
são retratos de um momento. Ela fala de uma mudança
na política, de uma entrada do Lula, que se aliou a uma corja
de políticos que é difícil de aturar. Eu acho
que essa musica ainda é simbólica para o Brasil assim
como acho que simbólico o Lula ter chegado lá, a gente
deve se orgulhar disso pra sempre, independente do que seja o resultado
do governo dele. |
 |
| Carlos
Garcia: Eu também acho que não é assim
“agora chega”... |
| Gabriel:
É, não é assim que o Lula vai resolver os problemas,
e ele assume muito esse lado que cai no tempo do Populismo. Eu não
gosto do estilo de Chaves e outros amigos dele, eu não sou
dessa onda, eu acho que tem algumas críticas que são
coerentes, como o João Ubaldo. Mas nessa música eu estava
criticando uma Postura Elitista, aí sim eu fazia críticas
ao Lula por ele ter vindo do povo, ser pobre, etc, ai é que
eu acho que era preconceito mesmo.Nessa música eu falo de preconceito,
falo de fome, de cara feia, porque tem gente que fazia cara feia pra
isso enquanto as outras opções também já
estavam esgotadas, A que foi uma aposta bem-feita para mudança
no rumo da política., Infelizmente não mudou tanto assim
como a gente pensava. |
| Carlos
Garcia: O que vamos ouvir então do “Ao Vivo
MTV”? |
| Gabriel:
Cara, vamos rolar “Mandei Avisar”, do Marcelo Yuka, um
abraço pra galera do F.U.R.T.O, um novo trabalho... |
| Carlos
Garcia: Eles estiveram aqui cara, essa semana, gravaram
também uma participação nos 23 Anos do Pop
Rock.
(...)
Carlos
Garcia: Cavaleiro Andante, o primeiro single foi muito
bem nas rádios, começando a gerar pedidos. Mas.Antes
disso eu queria que você falasse, pra registrar, duas músicas
que te marcaram nesses 23 anos, desde o surgimento de Blitz, Legião,
Paralamas, Uns e outros, Nenhum de Nós... Tem duas musicas
que te marcaram e trazem boas lembranças?
|
| Gabriel:
Caramba, isso é difícil demais,cara ! |
 |
| Carlos
Garcia: Você tem uma lembrança do seu primeiro
contato com rádio? |
| Gabriel:
Não, mas eu posso falar do Ultraje, a gente pode rolar aí
o Inútil, do primeiro álbum, Nós Vamos Invadir
a sua Praia. Foi uma das bandas que me mostrou como se pode fazer
críticas com humor e eu achava legal isso deles e acho até
hoje. E outra música...Podia pegar uma do Legião, estou
trabalhando a música Pais e Filhos, que é uma das minhas
preferidas.Uma coisa também que eu curti muito, até
pela minha linguagem, porquê eu já gostava de hip hop,
das letras, foram Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo que também
marcaram pra caramba! |
 |
| Carlos
Garcia: Gabriel, eu queria te perguntar sobre o novo álbum:
quando é que ele vai estar nas lojas, se o clipe já
está pronto, porquê nós recebemos e-mails de
ouvintes querendo estar aqui... |
| Gabriel:
O clipe saiu essa semana, quarta feira, Oscar Rodrigues Alves e o
Nando Cunha dirigiram “Palavras Repetidas”; e o disco
está marcado para sair da fábrica dia 30 agora, indo
pras lojas. F bem louco gravar fora, com alguns compromissos aqui,
eu fui e voltei, gravei parte aqui, mixei lá em nova Iorque,
tirando duas músicas que foram feitas aqui. E a sonoridade
que a gente buscava com a masterização lá, também,
a batida eletrônica, sampler, as coisas que no “Ao Vivo”
eu não usei. Eu quis puxar o som assim, ao máximo, e
valeu à pena! Gostei pra caramba! Sem falar da parte das letras
que eu sempre curto fazer. Mas o trabalho desses caras, dos técnicos
que tiraram esse som, dos produtores e dos músicos, pó,
nota dez! |
 |
| Carlos
Garcia: Vamos rolar “Palavras Repetidas’. Gabriel,
o Pensador, muito obrigado pela força de sempre e pela parceria
com a Rádio Costa Verde FM, por ter acreditado na nossa programação.
Quando a programação tinha três meses você
já estava fazendo um show com a gente, lá no Luso,
foi um show importante pra afirmação da nova cara
da Rádio. É a primeira vez que a Rádio segmenta
sua Programação, que eu vejo como um caminho do rádio
FM. O rádio tem que ter uma nova postura e eu acho que uma
postura VIBE da Costa Verde Fm, e eu queria te agradecer! |
| Gabriel:
Eu é que agradeço aí, parabéns, que vocês
mantenham a identidade, também me dão a maior força,
então a força é recíproca. Espero que
agente continue essa parceria, com muitos discos e muitos anos de
Rádio também! |
| Carlos
Garcia: Valeu, esse foi Gabriel, o Pensador, na Costa Verde
Fm! ? |
|