| A
Rádio Costa Verde Fm entrevista com exclusividade a Banda Jota
Quest.
| Carlos
Garcia: Boa tarde, eu sou Carlos Garcia, pela segunda vez
recebo o grupo mineiro Jota Quest aqui nos estúdios da Rádio
Costa Verde. Eu lembro que a primeira vez foi em 1997 divulgando o
primeiro álbum e agora a segunda aqui. Beleza Rogério
Flauzino? |
| Rogério
Flauzino: beleza Garcia, prazer em falar com vocês
da Costa Verde Fm, estamos aqui ao vivo prá gente falar dessa
historia toda, é um prazer falar contigo, Garcia! |
 |
Carlos
Garcia: a gente estava conversando ainda há pouco
e eu disse que fiquei na dúvida na primeira vez em que ouvi
o single “Além do Horizonte”. Eu me perguntei,
pô prá que lado vai esse novo disco do Jota Quest?
Eu tenho todos os álbuns e fiquei curioso, vai para o lado
mais soul, black, música de negão do primeiro álbum
ou do quarto cd, o “Discotecagem Pop Variada”, ou vai
ter essa pegada mais rock, mais pop, do terceiro disco, o “Oxigênio”
ou do segundo disco “De Volta ao Planeta”. Qual é
a do Jota Quest agora? |
Rogério
Flauzino: A gente não teve nem está tendo
a preocupação nem na hora de fazer nem na hora de
falar sobre isso, de prá que lado que esse disco vai. Na
verdade o disco vai para o lado que está e sempre esteve
tentando ir porquê sempre teve uma fusão de estilos
dentro da banda, no lado do rock puxado pelo guitarrista Marco Túlio
e tem o lado black mesmo que é o nosso baixista PJ, que vai
por essa praia. Eu também gosto muito de música eletrônica,
gosto de canções baladas, o Márcio tecladista
gosta de musica eletrônica e de canções bonitas.
Então ao longo da nossa história, do primeiro disco
que queria ser um disco de black e de pop, essa sempre foi a idéia
da banda. E no disco “De Volta ao Planeta” a gente começa
a deixar fluir a coisa com mais guitarras, ficar mais solto mesmo,
soltamos o dedo no terceiro disco, “O Oxigênio”,
exageramos em algumas áreas, a gente se perdeu em alguns
momentos mas tivemos bons acertos também com algumas canções
que eu destaco, como “Dias Melhores”, que acabaram ficando
nessa história toda. E o nosso quarto disco, o “Discotecagem
Pop Variada” que foi o último disco e que gerou o “Ao
Vivo Mtv”, e que tem canções como “Na
Moral” e “Só Hoje”. A gente fala que “Só
Hoje” foi a primeira música que a gente conseguiu realmente
fazer uma balada, solta, como se imaginava, com metais e aquela
composição maravilhosa. Aí vem o “Ao
Vivo Mtv” que a gente gravou a música “Do Seu
Lado”, do Nando Reis e a inédita “Amor Maior”,
que fez muito sucesso porque era uma balada que tentava ser uma
balada meio rock. O Jota Quest é isso, é um “caldeirão”.
Esse novo disco é isso, quando a gente está tocando
uma música black voce tem guitarras, teclados eletrônicos,
quando a gente está tocando um pop tem baixo, funk. |
 |
|
Carlos
Garcia: você considera “Além do Horizonte”
mais rock´n rol? |
| Rogério
Flauzino: é, eu acho que “Além do Horizonte”
acabou ficando. A original dessa música é um samba-canção
do Roberto Carlos de 1975. A gente pegou essa música pelo
mote da temática, “ Além do horizonte existe
um lugar bonito e tranquilo prá gente se amar” é
uma música prá gente jogar um “Bom Ar”
nesses dias que estamos vivendo, de violência, de corrupção.
Essa mensagem do Roberto Carlos é muito pura, dá prá
se imaginar esse lugar que pode ser dentro da gente mesmo ou pode
ser fora desse planeta, em outro lugar, a expectativa é disso!
Por isso que a gente escolheu essa música! |
 |
Carlos
Garcia: essa música está na campanha publicitária
dos Chinelos “Rider”. Eu estou com 31 anos e no rádio
desde os 16 anos e em entrevistas com outra galera saquei que são
músicas encomendadas, Lulu fez, Barão Vermelho fez,
Skank foi o último com “Vamos Fugir”, Tim Maia
fez, Sandra de Sá, enfim uma galera. Em uma entrevista que
eu fiz com a galera do Barão Vermelho eles me disseram que
a música foi encomendada para o Barão. No caso dessa
música, “Além do Horizonte”, ela já
estava prá entrar no disco do Jota Quest ou foi por encomenda? |
Rogério
Flauzino: o convite veio no começo do ano logo que
a galera do Skank estava fazendo aquele sucesso todo a gente se
encontrou e os caras disseram “olha, os próximos são
voces hein” . Eu disse, que legal, vamos Lá! Foi uma
campanha publicitária legal e vitoriosa. A gente estava fazendo
o disco e falamos pô, já que vai rolar isso vamos fazer
uma coisa que não seja da gente e a primeira musica que pensamos
foi essa, “Além do Horizonte”! Pensamos em outras
mas dois meses depois o pessoal da agência W Brasil nos ligou
e perguntou “e aí, vamos fazer então”?
Eu perguntei qual a música que eles haviam pensado e a W.
Brasil falou “Nós Vamos Invadir sua Praia”, do
Ultraje a Rigor, ou “Além do Horizonte”, do Roberto
Carlos. Eu falei que estávamos pensando em regravar Roberto
Carlos e restava torcer para que Roberto liberasse a música.
No primeiro momento ele nâo liberou mas depois quando tomou
conhecimento de que era o Jota Quest ele disse “eu gosto dos
meninos, vou liberar” . Aí nós ficamos animadíssimos,
a gente estava na primeira semana de gravações, foi
a primeira musica que a gente fez no estúdio e o Produtor
Liminha perguntou “o primeiro trabalho qual é”?
Nós respondemos que era “Além do Horizonte”,
como é que a gente faz? Vamos cortar aqui, eu não
gosto dessa guitarra estridente, começamos a ensaiar e aquilo
foi entrando no coração da gente, a mensagem da música,
a história, e até então a gente não
tinha colocado no disco, fizemos a segunda, a terceira, a quarta
música, e sempre que tinha uma versão demo ela estava
lá, fomos tomando amor pela música. Quando faltava
dois meses ou um mês e meio prá gravarmos o disco eu
disse pô gente, vamos marcar a data do lançamento,
esses detalhes. Então eu sugeri que colocássemos essa
música do Roberto prá abrir o disco enquanto a gente
tinha tempo para concluir o novo cd. Mixamos a música com
o Liminha umas tres vezes até chegarmos na versão
pop. |
 |
| Carlos
Garcia: vamos ouvir agora na Costa Verde Fm “Além
do Horizonte”, na Rádio que tem a Cara do Rio! |
|
Rogério
Flauzino: isso, vamos ouvir então!. |
 |
| Carlos
Garcia: Rogério, enquanto você estava falando
sobre o caminho do Jota Quest, esse intervalo no lançamento
dos discos é proposital, é sem querer? E se for proposital,
ele é saudável à banda? O primeiro álbum
foi em 1996, o segundo em 98, o terceiro, “O Oxigênio”
em 2000, o “Discotecagem Pop Variada” em 2002. Isso
é normal, acontece, porque o Jota Quest é uma das
bandas mais bem sucedidas no que diz respeito á turnê?
Qual é realmente o motivo prá esse intervalo de dois
anos por obra? |
Rogério
Flauzino: até agora foi uma coincidência,
até pintar o “Ao Vivo Mtv”, que a gente nunca
tinha feito, e a Mtv nos convidou prá fazer o disco, durante
os trabalhos do cd “Discotecagem Pop Variada”. A gente
estava com um ano de shows e pretendiamos ficar mais um ano, e disseram,
vamos gravar um “Ao Vivo”. O disco é todo de
sucessos mas é baseado no show do disco “Discotecagem
Pop Variada”. Aí, como é de praxe da Mtv, nós
trocamos idéias e reunimos a inédita “Amor Maior”
e outras canções. |
 |
| Carlos
Garcia: isso dá uma sensação de vitória,
porque quando você pega um disco e diz, pô vamos fazer
aqui os 10 anos de carreira, os 4 álbuns, etc, você
parte do principio de que vai para o lado mais fácil, qual
foi o maior sucesso, quais as músicas que foram esquecidas
nos discos, e vamos trabalhar. E esse disco é um dos maiores
sucessos do Jota Quest. Se não me engano vendeu 600 mil cópias? |
| Rogério
Flauzino: é, ele vendeu entre 600 e 700 mil discos. |
| Carlos
Garcia: o que é bacana é que o que puxou
o disco foram as inéditas, como “Amor Maior”,
“Do seu Lado"... |
| Rogério
Flauzino: e a terceira música de trabalho foi “Mais
Uma Vez”. Essa música que seria trabalhada no disco “Discotecagem
Pop Variada” depois de “Só Hoje”. Então
a gente esperou um ano. Essa música é um sucessão
cara, a galera pede em todas as rádios, nos shows |
| Carlos
Garcia: “Mais uma Vez” é uma música
em que você fala do tempo, não? Eu inclusive me questionava
com outros radialistas, porquê que eu, na Costa verde Fm,
fiquei tocando tanto tempo depois de que se considerou o disco já
morto, mas tinha pedido prá caramba. |
|
Rogério
Flauzino: essa música fez um sucessão ao
ponto de eu ficar assustado nos shows, a galera comemora igual a
louca! |
 |
|
Carlos
Garcia: sabe o que estava pensando aqui antes de a gente
entrar no ar, quando batia um papo sincero com você, até
onde foi bom pro Jota Quest ficar completamente livre e aonde é
que você acha que deu aquela prejudicada, que não foi
tão bom assim, o lance de vocês terem produzido o quarto
álbum, o “Discotecagem Pop”, alí vocês
mesmos produziram não? |
Rogério
Flauzino: é, aquele disco foi produzido por nós
e mixado pelo Liminha, que colocou as mãos e conseguiu tirar
um som legal. Essa busca é cheia de incertezas, eu acho que
a melhor coisa que aconteceu com o Jota Quest foram os erros cometidos
no disco “Oxigênio”, os exageros de postura, que
a gente confundiu com o sucesso, a fama, a gente ficou meio confuso,
então rolou uma certa briga de egos naquele momento e o meu
pai falava, o disco estava pronto e muito bom e segundo meu pai
nós não estávamos prontos prá lançar
o disco. Então a gente saiu com uma postura meio esquisita,
fomos incompreendidos, criticados, mas bem criticados em alguns
pontos, eu acho. E nós levamos o ano de 2001 para nos encontrarmos
enquanto pessoas, amigos, enquanto parceiros, enquanto músicos
e artistas e o disco “Discotecagem” foi essa redescoberta,
quem somos nós, o que faz nossas cabeças, o que a
gente gosta realmente de tocar. Nós somos 5 caras, cada um
gosta de uma coisa e a gente tem que se acertar e o cd “Discotecagem”
foi o começo disso. E o “Ao Vivo Mtv”, prá
nós foi como tirar um peso das costas, foi o que a gente
conseguiu fazer de melhor. Com o sucesso desse disco eu acho que
sedimentou uma história de 10 anos, do tipo, pô isso
aqui não é brincadeira, tem umas coisas legais aqui
que eu acho que dá prá gente seguir, vamos seguir
em frente e fazer um disco? Como é que vai ser esse disco?
Não sei, vamos fazer esse disco novo e ver até aonde
vai! |
 |
|
Carlos
Garcia: vamos ouvir dessa vez, ao vivo, Jota Quest com
“Amor Maior”, na Costa Verde Fm, a Vibe do Seu Rádio!. |
|
Rogério
Flauzino: legal. |
|
Carlos
Garcia: e aí Rogério, lembrava aqui da Costa
Verde fm? |
|
Rogério
Flauzino: Lembrava e eu lembro mesmo, eu até perguntei aos
meninos da gravadora sobre a historia da rádio, sei que voces
é que mandam na área!
|
 |
| Carlos
Garcia: Rogério Flauzino, me diz, tem uma cosia
que eu me amarro na banda de voces, que são as participações
especiais. Voces já chamaram Tony Tornado, Zé Ramalho,
Milton Nascimento, Seu Jorge. O que rola, não seria mais
fácil chamar um “brother”, de outra banda de
pop rock? |
| Rogério
Flauzino: nesse disco tem um cara do rap, meu amigo, que
se chama Evandro Mc, que é um cara de BH. Ele tem 36 anos
de idade e já esteve em vários outros grupos de hip
hop, desde que existe esse movimento. No nosso primeiro disco independente
fomos muito auxiliados por um dj que se chama Roger Gui, que também
gosta muito desse movimento, que trazia os samplers e fazíamos
muitas coisas juntos. Então a gente sempre teve um estreitamento
com esse pessoal e dessa vez nós chamamos o Evandro e fizemos
duas músicas juntos, a primeira é “O Baile”,
que abre o disco, a gente canta junto, além de sermos autores
da música, e tem outra que se chama “Rir prá
não Chorar”, que o Evandro fez a letra e eu canto.
Tem Lulu Santos, que a gente nunca havia trabalhado e tem uma música
dele, chama-se “Surdo”. O Nando Reis gravou mais uma
e por aí vai!. Cara, no cd “Oxigenio, além do
Milton Nascimento e do Zé Ramalho, o Ed Motta fez um arranjo
de metais prá música que é do Pepeu Gomes e
da Baby Consuelo que é o “Raio Lazer”. |
 |
|
Carlos
Garcia: o rádio, a estrada, te assustam, da mesma
forma que alguns preconceitos que surgem? |
| Rogério
Flauzino: não, cara, nada me assusta mais, não
tenho mais problemas com isso. A melhor coisa que aconteceu pro
Jota Quest foi quando a gente lançou o “Discotecagem
Pop Variada” e nós escolhemos o nome “ Discotecagem
Pop Variada” porquê o Jota Quest é uma eletrola
capaz de tocar muitos estilos musicais e isso não me incomoda
porquê nós cinco somos assim, eu gosto de música
eletrônica, eu sou viciado nessa porra, mas eu adoro o “clube
da esquina” , eu adoro Mpb, adoro o rock Brasil dos anos 80,
as bandas mais identificadas como a Legião Urbana. Então
como é que eu vou me tolir, me podar, sendo que eu ainda
tenho mais quatro parceiros na banda. |
 |
| Carlos
Garcia: e em todo o seu Estado as pessoas são apaixonadas
pelo rock´n roll. Você é de Minas Gerais, não? |
|
Rogério
Flauzino, é, sou do Sul de Minas, uma região
em que a grande a paixão é a música. E eu tive
uma escola muito forte em música por causa do Sul de Minas.
Naquela região se faz canções e baladas muito
boas. E eu acho que para o Jota Quest hoje seria um retrocesso,
como se a gente pegasse nosso disco e dissesse vamos fazer um disco
mais funk, não vai ser mais rock, com certeza seria um retrocesso.
O mais difícil a gente já fez para os nossos fãs
que gostam do Jota Quest. |
| Carlos
Garcia: vamos ouvir então alguma coisa desse álbum
que você diz ser tão importante, o “Discotecagem
Pop Variada”? |
|
Rogério
Flauzino: Cara, vamos nessa! Vamos curtir “Na Moral”!. |
| Carlos
Garcia: Rogério, nós falamos das participações
especiais, agora o Jota Quest já regravou Hildon, Tim Maia,
etc... |
| Rogério
Flauzino, é, regravamos “Dance enquanto é
Tempo”. |
 |
| Carlos
Garcia: Teve Lulu Santos no segundo disco, Pepeu e Baby
no terceiro cd com “Raio Lazer”. Agora, Roberto Carlos
é uma preferência da banda, voces já tinham
gravado Quero que Tudo Vá para o inferno, com o Dj Memê? |
Rogério
Flauzino: é, o Memê conseguiu porquê
o “Rei” gosta do Memê, eles fizeram um trabalho
juntos e o Memê tinha feito uns remixes do Roberto e o Rei
gostou muito. Então eu lembro que o Memê conseguiu
a liberação de “Vá Tudo Pro Inferno”
pro disco dele, aí ele falou “Pô, eu queria fazer
com voces”, a gente nâo resistiu e gravou a música.
É ótimo porquê as vezes estou na boate, na night,
e os caras tocam a música. Eu estava em uma festa, um dia
desses, devia ter umas duzentas pessoas, tinha dj e tudo, a galera
toda na nossa idade, “trintinha e tal”, cara ficou rolando
o som mas na hora em que o Dj tocou essa música, essa versão
do Dj Memê tocando e a gente cantando “Quero que vá
Tudo pro Inferno”, quase caiu a casa porquê clássico
é clássico, muda a embalagem mas o clássico
continua forte!. |
 |
|
Carlos
Garcia: mas ele escolheu a música diretamente ou
voces já tinham no repertório? |
|
Rogério
Flauzino: não, foi o Dj Memê que escolheu
a música e falou “O Rei liberou ela prá mim”.
Então eu vi que tinhamos que fazer, virei para os meninos
e disse “olha, vamos lá, temos que gravar”. Foi
em que ano isso, em 99 não Garcia? |
| Carlos
Garcia, isso, foi de 1998 prá 1999 |
|
Rogério
Flauzino: olha só, eu acho muito bom aquela regravação,
tem gente na banda que não gosta muito. Talvez hoje eles
até gostem mas na época não gostavam porquê
achavam que aquilo não era jovem, e não era mesmo,
era o Dj Memê como jovem. Mas acho que hoje isso já
foi superado, a galera aceita numa boa! |
 |
|
Carlos
Garcia: essa música não é acrescentada
nos shows, eu vi o último show de voces, no Claro Hall e
voces não tocaram |
Rogério
Flauzino: a gente não tocava ela porque gostávamos
de tocar “Se Você Pensa”. Quando a gente foi fazer
o Bootleg que na verdade ficou caprichado demais, está todo
mundo enchendo o nosso saco dizendo que Bootleg LR é tirado
da mesa. Tem lá, o Lr tirado da mesa, tem lá a câmara
na mão, mas tem outras coisas. Pôxa, a gente fez um
disco, o “Ao Vivo Mtv”, que vendeu mais de 600 mil cópias.
A gente fez 300 shows pelo Brasil e a gente quis filmar e registrar
os últimos shows da nossa turnê e lançar uma
edição limitada que foi a do show do Claro Hall, com
a tiragem de 60 mil cópias. O pessoal falou poxa, que absurdo,
uma edição limitada de 60 mil cópias. Prá
uma banda que acabou de vender 600 mil cópias, 60 mil era
um numero razoável! Nós gastamos um dinheirinho alí
e a gravadora achou plausivel e nós gravamos 30 mil copias
em cd e 30 mil copias em dvd. Eu concordo que o Bootleg é
o principio de se fazer uma coisa doce, sem muitos compromissos
com a qualidade. Essa é a nossa idéia e a cada ano
nós vamos lançar um Bootleg e nós prometemos
que vamos fazer um negócio pior um pouquinho, porquê
esse ficou muito bonito, estão enchendo o nosso saco por
causa disso. |
 |
| Carlos
Garcia: você quer ouvir qual regravação
desde a primeira, “As Dores do Mundo”? |
Rogério
Flauzino: vamos curtir a do Lulu Santos, “Tão
Bem”, do segundo álbum, que ele elogia muito. Um dia
desses ouvimos o Lulu Santos falar sobre outra musica do nosso disco
novo, a musica se chama “Absurdo”. Nessa letra que o
Lulu fez prá nós ele demonstra sua decepção
com o PT , com o nosso presidente. Mas vamos ouvir a versão
de “Tão Bem”, música do Lulu Santos, feita
pelo Jota Quest. |
 |
| Carlos
Garcia: voltamos com Rogério Flauzino falando da
carreira do Jota Quest. Rogério, no terceiro álbum,
“O Oxigênio”, já teve a parceria com o
Nando Reis, depois no quarto voces foram de Arnaldo Antunes, e no
quinto álbum, no “Ao Vivo Mtv”, voces recorreram
ao Nando e a Arnaldo novamente. O que é isso, é influencia
deles nos Titãs ou voces ficaram chapados com a carreira
solo deles? Eu adoro a carreira solo do Nando Reis, gosto muito,
e conheço pouquíssimo da carreira solo do Arnaldo
Antunes. Isso foi coincidência? |
Rogério
Flauzino: eu acho que foi aquela pegada que eu te falei,
o Jota Quest tem 12 anos mas todo nós cinco, antes do Jota,
começamos a tocar em 1985. A primeira referencia musical
de todos nós, da banda, foi o rock Brasil dos anos 80. Então
Legião Urbana,. Titãs, Paralamas do Sucesso, Cazuza,
Lobão, essa turma toda fez a nossa cabeça porque naquela
época nós éramos adolescentes e crescemos ouvindo
isso. Então trabalhar com o Nando, com o Arnaldo, possivelmente
fazer alguma coisa com o Frejat, com o Lobão, com o Ira,
com o Lulu (que a gente acabou de fazer uma música no novo
disco), com todos esses caras, prá nós faz sentido
nesse ponto de vista. Eu sou muito fã do Arnaldo Antunes,
me amarro no que ele escreve e canta, e do Nando Reis, pelo jeito
com que ele escreve. As suas historinhas são sensacionais.
Se a gente for falar da obra do Arnaldo nos Titãs, antes
de ele começar carreira solo, tem ainda o que ele fez com
a Marisa Monte nos Tribalistas. O Nando tem o que ele fez para o
Cidade Negra, para o Skank, é mais que provado que os caras
são grandes artistas, a gente conversa muito e se dá
bem. Durante os shows em São Paulo desse disco “Ao
Vivo Mtv”, no final a gente sempre chamava o Nando Reis e
sempre tocávamos juntos e a gente se divertia prá
caramba. Então nós estamos abertos prá receber
as músicas dessa galera dos anos oitenta! |
 |
| Carlos
Garcia: o primeiro show do Jota Quest que eu assisti foi
em 1996, lá em BH. E a galera sacou que estava pintando uma
banda legal, que iria decolar. Agora, o fato de eu achar bacana
o terceiro disco, “Oxigênio”, prá voces
ele não foi uma pedra no caminho? Ali o problema não
foi mais de postura do que de som? |
|
Rogério
Flauzino: concordo plenamente com você, foi aquilo
que meu pai falou, o disco estava pronto e nós não
estavámos prontos prá lançar, e não
só a gente como todas as pessoas que estavam ao nosso redor,
que acompanham nosso trabalho. A nossa gravadora estava equivocada,
não nos conduziu bem, eu acredito também que o próprio
mercado já aguardava aquele momento normal de quando o artista
sobe demais, e aí tem a petecada prá baixo. A gente
era muito inocente, ingênuos, e nos deixamos levar com isso,
mas eu acho muito natural porque o disco é muito bom. |
 |
|
Carlos
Garcia: faltou o Dudu Marote ali na produção,
que já havia trabalhado com vocês no disco anterior,
prá dar ao cd um lado menos rock´n roll? |
|
Rogério
Flauzino: não, de forma nenhuma, o Marcelo Sussekind
foi um paizão naquela ocasião mas a gente estava meio
confuso, estressado e cansado. |
 |
|
Carlos
Garcia: esse disco, “Oxigênio”, foi composto
na turnê que o antecedeu? |
| Rogério
Flauzino: foi, o “Oxigenio” tem canções
maravilhosas como “Dias Melhores”. O que eu também
não entendo, e a música que o Milton Nascimento canta,
tem muitos acertos. O que eu gostaria de fazer, na verdade, é
uma coletanea de músicas que não foram conhecidas e
mostrar prá galera, a exemplo do Bootleg, e quem sabe vender
50 ou 60 mil copias, com as músicas que você não
conhece nem nunca ouviu no rádio. O problema com o disco “Oxigênio”
é que a gente descansou pouco depois de uma turnê, paramos
só uma semana e entramos logo em estúdio para fazer
o disco. Ele ficou pronto, foi lançado junto com o comercial
do refrigerante Fanta Laranja, foi lançado num site, em um
super portal da internet, tudo era mais importante do que o conteúdo
daquele disco. Ele foi conduzido dessa maneira, de forma equivocada
porque éramos inexperientes. Eu não tenho vergonha em
afirmar isso porquê serve de amadurecimento para a banda. O
disco era ótimo mas a gente estava procurando alguma coisa
que externamente pudesse nos dar respeitabilidade, e respeitabilidade
só se consegue com trabalho, com talento, na estrada ralando.
Naquele tempo a gente dizia “eu sou isso, sou aquilo”,
e na verdade não é assim que a coisa funciona, você
só vale quando trabalha, adquire respeito e a confiança
da midia. As pessoas que trabalham com a gente nesse esquema também
influenciam porquê têm muita paciência e inteligência.
Tem pessoas que nascem gênios e explodem cedo porque começaram
cedo.Mas a maioria das pessoas adquirem conhecimento ao longo dos
anos, quando você vai amadurecendo, vai enxergando melhor as
cosias. Vê o que está acontecendo ao seu lado, essas
são as coisas. |
 |
|
Carlos
Garcia: vamos ouvir “Dias Melhores”, desse
disco “Oxigênio”? |
|
Rogério
Flauzino: vamos nessa! |
| Carlos
Garcia: voltamos com Rogério Flauzino nos estúdios
da Costa Verde Fm. Estamos chegando ao final desse bate-papo, falando
de toda carreira do Jota quest. Vamos falar do disco novo, ele tem
participações do "Tianastácia” e
eles me falaram que vocês gravaram a música deles,
“O Sol”. |
|
Rogério
Flauzino: Poxa, “Tianastácia” é
uma banda da pesada, que tem muita experiência também
no rock que trás referencias totalmente diferentes no rock´n
roll. Eles são mais para os anos 70 do que para o punk-rock,
os caras são ligados em Mpb boa, em rock progressivo, são
uns caras inteligentes prá caramba. |
|
Carlos
Garcia: eles vão conseguir finalmente sair de Minas
para o Brasil todo conhecer? |
Rogério
Flauzino: isso mesmo, o “Tianastácia”
tem dois vocalistas que é um lance muito interessante, eles
formavam uma dupla e convidaram mais dois caras prá fazerem
uma banda. Então eles fazem uma troca de vocais que é
muito legal porque eles são meio ripongas. Eu acho legal
se eles decolarem prá todo brasil |
| Carlos
Garcia: voces participaram de alguns discos deles não? |
Rogério
Flauzino: isso mesmo, eles gravaram o cd “ Na Boca
de Sapo tem Dente” lá no Jota, o nosso estúdio.
Foi quando o Paulinho batera produziu e o Márcio e eu ficamos
no teclado e no solo, e a música ficou uma porrada, muito
bacana! |
|
Carlos
Garcia: além do “Sol”, do “Tianastacia”,
o que tem mais? |
|
Rogério
Flauzino: tem o Evandro, conforme eu te falei, que é
o cara do rap. Tem uma música do Nando Reis, que se chama
“Não Dá”, e uma música do Lulu
Santos. |
| Carlos
Garcia: tirante o “Além do Horizonte”
tem alguma música do novo cd que seja regravação? |
|
Rogério
Flauzino: tem “O Sol”, que é do Tianastácia. |
|
Carlos
Garcia: é verdade, tinha esquecido. Então
único cd que não teve regravações foi
“Discotecagem Pop”, certo? |
|
Rogério
Flauzino: isso mesmo, mas isso não quer dizer que
nossos discos tenham, obrigatoriamente, que ter regravações.
Se nós aceitarmos regravar alguma cosia, tudo bem, se não
quisermos partimos em busca de novos lances musicais |
 |
|
Carlos
Garcia: porquê isso, de todo álbum Ter uma
regravação? |
Rogério
Flauzino: não sei, cara. Engraçado que “As
Dores do Mundo” foi um acidente, o Fernando Furtado, empresário
do Skank, disse “faz uma versão dessa música
porquê ela é boa”, ele pegou uma fita cassete
gravada com a música inteira dos dois lados. Foi a primeira
música de trabalho da banda. Depois gravamos Lulu Santos
e muitas outras como “Raio Lazer”. Mas a principio não
há obrigatoriedade de regravar musicas de outros artistas,
se rolar será naturalmente. Algumas pessoas encaram isso
como erro, dizendo pôxa vocês não devem mais
regravar, coisa e tal. Mas eu lembro que um dos erros do disco “Oxigênio”
foi fazer um disco com Ed Motta fazendo uma coisa e o Pepeu Gomes
fazendo outra. O pessoal se perguntou “o que é isso,
o pessoal está ficando louco? Isso pode ser dado mesmo como
erro, mas ao mesmo tempo meu amigo, ficou, já é, isso
existe. Nós somos fãs desses caras todos, nós
aprendemos . Tipo assim, vamos regravar Zé ramalho, Milton
Nascimento, porque eles nos influenciaram, somos fãs deles.
Então esses contatos que a gente vai fazendo ao longo da
carreira nos ensinaram muito, são referencias. Muitas bandas
vão buscar isso lá fora. Prá você ver
uma coisa, tem uma música minha nesse disco, quê se
chama “Sunshine Ipanema”, que é uma parceria
minha com o Layo Bushwacka, a gente ficou amigo em Miami, coisa
e tal, eu montei uma base e uma letra prá ele e ele gostou
e colocou no disco dele, que vai ser lançado em fevereiro.
Ai eu mostrei pros meninos do jota, que gostaram e nos fizemos também
um versão. Então é mais uma entrada para nossa
carreira. |
 |
| Carlos
Garcia: Flauzino, prá você importa aonde vai
tocar a música do Jota Quest, em algum momento falou assim
a música “Fácil” foi o primeiro crossover
não foi? Quer dizer que da rádio popular á
rádio adulta, á rádio pop, todas tocaram sua
música? Isso te incomoda? Eu fiz uma entrevista há
dois meses com o Rick Bonnadio, que tem uma excelente parceria aqui
com a Costa Verde, e ele disse que quando está produzindo
quer fazer um produto prá vender, ele não quer saber
se vai ser sucesso em rádio pop, rock rock. Flauzino, prá
você a música “Fácil” foi tão
boa que chegou a atrapalhar ou prá você não
importa? |
Rogério
Flauzino: não, no primeiro momento você fica
grilado porquê não sabe direito o que vai acontecer.
No primeiro momento, nas rádios, aquela coisa, a gente perguntou:
“pô cara, será que essa música vai virar
aquela coisa que ninguém não aguenta mais ouvir”?
É a primeira coisa que você pensa e depois fala é
“não quero que a minha música toque numa rádio
popular, porque vai virar uma música brega”. Primeiro
você fica assim mas depois cara, eu acho um grande barato,
eu falo isso prá música e prá disco. Uma música
ela tem que ser por ela uma boa poesia, se você lê ela
já é boa por ela e uma boa melodia, bem construída.
A música tem que ser bem gravada e de boa levada, podendo
ser lenta, média ou rápida. Se ela for uma boa música
ela vai tocar em todas as rádios do Brasil, mas se ela tiver
uma certa deficiencia ela não vai tocar. Se ela for muito
macia não toca na rádio pop, e se for muito rock não
toca em rádio brega. Mas isso não é o que a
gente pensa primeiro. O que tem que ser essa música? Ah,
essa música fala do rio e do mar, que não abro mão
de ser feliz, ela tem uma batida bacana, o baixo é legal,
aonde ela vai tocar? Não sei, mas eu acho ela boa |
 |
|
Carlos
Garcia: honestamente, porquê você acha que
a estrada aceita tão bem assim o Jota Quest? |
|
Rogério
Flauzino: eu acho que são muitos shows e o prazer
da gente de estar naquele palco. |
|
Carlos
Garcia: qual foi a média de shows desse álbum,
o “Ao Vivo Mtv”? |
|
Rogério
Flauzino: o “Ao vivo Mtv” foi maior deles todos,
nós fizemos 317 shows |
|
Carlos
Garcia: não enche o saco? |
|
Rogério
Flauzino: enche o saco, mas é o que eu falo para
os meninos, a única coisa que ninguém pode tirar de
um artista é isso, essa presença, esse olho no olho,
essa energia entre fãs e a gente. Eu me lembro claramente,
como se fôsse hoje, de muitas imagens de shows que eu assisti
quando era adolescente e que mudou a minha vida. Então cara,
porquê são tantos shows? Porquê as pessoas ligam
querendo os shows. Então veja, nós não somos
uma banda alternativa, somos uma banda de shows. A gente dá
um tempinho, descansa, e segue depois, essa é a nossa meta
de trabalho para shows |
 |
|
Carlos
Garcia: Rogério Flauzino obrigado, adorei a entrevista
sobre o Jota Quest na Costa Verde e boa sorte na nova turnê
da banda! |
|
Rogério
Flauzino: “vamo botá prá fora os bichos
sô”, essa entrevista está sendo muito boa prá
mim e prá banda, essas coisas que eu disse a você,
muitas, foram a primeira vez em minha carreira. E sinceramente eu
respondi tudo que você perguntou, relacionado á nossa
carreira. Obrigado mesmo, Garcia, até a próxima!. |
| Carlos
Garcia: beleza, vamos ouvir “Além do Horizonte”
prá encerrar nosso bate papo com o Rogério Flauzino
e o Jota Quest |
|