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Entrevista com Lulu
Santos
| Carlos
Garcia: 91,7 Costa Verde Fm, a Rádio que tem a Cara
do Rio, tudo bem Lulu? |
| Lulu
Santos: Vou muito bem, obrigado, e você? |
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Carlos
Garcia: Ótimo! |
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Lulu
Santos: Obrigado pelo convite!. |
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| Carlos
Garcia: Lulu, você sentiu muita diferença?
A primeira vez em que você se auto-produziu foi no disco Normal,
de 1985. Até então você só tinha passado
por um produtor, o Liminha, nos tres primeiros álbuns. Treze
anos depois, depois do disco Mundo Cani, seis produtores depois,
você volta à produção. E ouvindo o seu
disco inteiro, nesse final de semana, eu senti uma segurança
incrivel e absurda de tudo o que está se fazendo ali. Rolou
isso, por ter passado por 6 produtores, 9 discos depois, de Mundo
Cani, essa segurança vem daí? |
| Lulu
Santos: Acho que sim, em retrospectivas, no Disco Normal, estava
muito inseguro, foi o primeiro disco que eu produzi. Só fui
descobrir a minha insegurança depois que eu vi o disco pronto,
cortado, eu descobri que cometi uma série de erros técnicos
que a rigor, eu costumo dizer que prá você produzir
um disco tinha que Ter carta de habilitação, sabe
como é? E eu bati em “ alguns postes” com aquele
disco, sobretudo na última etapa do corte, o corte ficou
espirrado, o disco foi cortado nos Estados Unidos com um padrão
que a indústria fonográfica não usava no Brasil.
Enfim, de lá prá cá se voce contar o disco
Normal saiu em 1984, faz justamente 21 anos, e eu hoje sei o que
estou fazendo, eu aprendi muito! Desses seis produtores que você
listou com certeza eu aprendi muito vendo essas pessoas trabalharem! |
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Carlos
Garcia: mas isso também passa pela produção
dos outros não? O Lulu, por exemplo, que é um dos
meus discos prediletos, é de 1986, você já acertou
a mão não só pelo sucesso comercial não
é? Aquele álbum, até então, foi o seu
maior sucesso, deu 200 mil cópias, aproximadamente? |
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Lulu
Santos: Na verdade tinha uma coletânea que vendeu 800 mil
copias, foi o disco Último Romantico. Foi a primeira vez
em que ganhei Disco de Ouro. Até teve uma tentativa de me
darem Disco de Platina que eu não quis receber porque o disco
tinha vendido menos que 250 mil copias. |
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| Carlos
Garcia: Foi no Maracanãzinho no aniversário
da Revista Bizz, você negou em cima do palco, voce disse que
não queria no palco? |
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Lulu
Santos: Não, eu falei antes que eu não achava justo
enganar alguém dizendo que eu havia vendido 250 mil cópias
se eu tivesse vendido 220 mil cópias, entendeu. Na realidade
era besteira, prá marcar uma posição provavelmente
com alguma gerencia de gravadora com a qual eu não estava
me entendendo e ao mesmo tempo bobagem mesmo, um pouco coisa de
iniciante.. |
| Carlos
Garcia: Lulu, nesse disco você tem uma música,
“Gambiarra” , que você disse ter escrito há
10 anos? |
| Lulu
Santos: Gambiarra é de 10 anos atrás mas Dim-Dom, que
é uma das últimas músicas do disco, acho que
é a décima-segunda musica, tem 28 anos, tem ainda mais
tempo! Então eu acho que isso é privilégio de
quem faz um calendário cumprido assim. E Gambiarra coube nesse
disco, o “Letra & Músicas” |
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Carlos
Garcia: E de onde vem isso, de você guardar uma música
dizer “ agora é o momento” |
| Lulu
Santos: Do nada, olha você quer saber? Eu comecei a gravar no
estúdio com o Chocolate, Negão, que era quem estava
gravando as bases, na verdade sou eu, Chocolate, Negão e Hiroshi.
Na verdade saiu tão fácil, tão coerente, que
eles encontraram um groove em pouco tempo, em 15 minutos eu havia
fechado a canção. Naquele momento, era a primeira ou
segunda semana de gravação, a gente ainda estava experimentando,
mas tem coisas que jamais virão à luz, que serão
gravadas, eu nem me lembro mais o nome porque o que eu fiz era prá
compor um repertorio decente prá esse disco acabou que a gente
experimentou, mas saiu tão tenso, tão chato que eu disse
esquece. Já Gambiarra, o fato de ela ter ficado dez anos na
minha memória, voltando prá mim, é porquê
ela significa alguma coisa. |
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| Carlos
Garcia: Prá todos é uma música tão
atual! É como se você tivesse feito para o que está
acontecendo agora! |
| Lulu
Santos: Porque parece que a canção faz uma crítica
dessa cultura de celebridades instantaneas, mas na realidade não
é isso não, é uma conversa que eu tenho comigo
mesmo de o quanto é, da pessoa privada ou pessoal que você
é, o quanto desse potencial você abre mão prá
pessoa pública, quanto você tira da pessoa privada prá
pessoa pública. Na realidade o ideal é você estabelecer
um equilibrio que você fique bem no meio artistico nem depois
possa reclamar como Michael Jackson, por exemplo, que a gente ouve
ele dizer que nunca teve uma vida normal, porque sempre trabalhou
a vida inteira. Talvez ele, quando era criança, não
tivesse oportunidades de fazer essas escolhas, talvez tenham feito
essas escolhas para ele! Mas no caso da gente cabe à gente
saber o quanto da sanidade pessoal a gente quer manter em relação
á necessidade de Ter que se promover. |
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| Carlos
Garcia: Vamos ouvir? 91.7 Costa verde Fm a Rádio
que tem a cara do Rio. Pela primeira vez Lulu Santos nos estúdios
da Costa Verde Fm, essa música, Gambiarra, abre o novo disco
do Lulu. Agora tem Gambiarra na Costa Verde Fm. |
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Lulu
Santos: Do disco Letra & Música! |
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| Carlos
Garcia: Letra e Música é o novo cd do Lulu
Santos, cd que vem depois de um Ao Vivo Mtv. Agora falando em Acústico
como você se sente bem nessa parceria com a MTV não,
tão belos, tanto o Acústico quanto o Ao Vivo, eu tive
o prazer de estar nos dois dias de gravação no Claro
Hall, é aquele clima mesmo de liberdade total, Mtv é
isso? |
Lulu
Santos: O caso do Acústico é um pouquinho mais engessado
porquê eles têm um formato fixo que é determinado
pela Companhia-mâe deles, que é internacional, mas
você tem um formato muito fixo, tem padrôes de cenário,
de iluminação, e de várias outras coisas que
têm que ser seguidas, já o Ao Vivo é apenas
o espetáculo da gente eles fazem um pequena correção
para ter a claridade necessária para a televisão mas
não tem nada que não tenha sido engendrado pela gente |
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| Carlos
Garcia: Você não acha que a música
Sem Nunca dar Adeus, a única inédita do Projeto Ao
Vivo já não estava dando o novo caminho que seria
o disco Letra & Música? |
| Lulu
Santos: Possivelmente, porquê já vinha numa direção
com coisas feitas com guitarra elétrica, acho que sim porquê
na realidade Letra & Música absorve muito as coisas que
acontecem com a gente quando a gente tem que tocar e é isso
que é o Ao Vivo Mtv, é o espetáculo da gente.
E no espetáculo eu toco guitarra o tempo todo. Mesmo nos
meus discos como por exemplo em Bugalu em que a guitarra toma um
papel mais secundário, em que ela quer ser apenas mais uma
integrante do que está tocando aquele arranjo porque eu nâo
tenho um disco na característica rock de uma forma frontal,
mesmo assim guitarra é o que norteia tudo aquilo, as canções
são todas feitas em guitarra e violão. No caso desse
disco o espaço do som da guitarra é muito mais amplo
e isso vem na sequencia depois do cd Bugalu, fiz dois anos inteiro
de espetaculo que resultou um ano depois ou um ano antes de agora
no disco Ao Vivo Mtv. |
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| Carlos
Garcia: Essa coisa “rocosa” que voce fala,
Lulu santos? |
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Lulu
Santos: Ou “roquenta” como queira!
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| Carlos
Garcia: Parece que toda a vez em que você vai produzir
seus discos, como Lulu, Normal, o Mundo Cani, ou Honolulu, a guitarra
não fala mais alto nesses álbuns, toda a vez agora
é comigo? |
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Lulu
Santos: Mais ou menos porque o Pop Sambalanço e Outras Levadas
é um disco que já tem essa coisa de colocar a guitarra
dentro de um plano mais geral e é um disco dedicado á
idéia de que você pode fazer pop contemporâneo,
com música popular brasileira e isso em 1989 não era
uma linguagem muito comum, as pessoas não abraçavam
com tanta facilidade como hoje!. |
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Carlos
Garcia: Como é que você analisa se há
erro? Por exemplo eu estou com 30 anos e estou na minha quinta rádio
e já teve rádio em que eu passei que eu falei “pôxa
como é que eu fiz isso”? |
| Lulu
Santos: Mesmo nos momentos mais dificeis você tira lições
daquilo. |
| Carlos
Garcia: Desculpa eu te cortar, mas você não
acha que foi apenas um momento errado, se esse disco saísse
em 1992 ou 93, o Pop Sambalanço? |
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Lulu
Santos: Pop não tem isso, pop é na hora, tem um prazo
de validade certo, tanto que se você desejar conhecer hoje
o disco Pop Sambalanço, você vai Ter muita dificuldade
de comprar porque ele não permanece em catálogo nem
tem material a venda. Então é uma coisa que é
um certo privilégio da gente, porque se amanhã a gente
quiser lançar uma caixa vamos dar possibilidade de as pessoas
comprarem coisas que nunca tinha ouvido antes, ou recordarem algumas
músicas. |
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| Carlos
Garcia: Você não acha que essas coletaneas
atrapalham, igual nós falamos aqui, de 800 mil copias, do
disco O Ultimo Romantico, que a Warner lançou, na época
no auge do disco De toda a Forma de Amor, Ne? Foi lançada
essa coletanea em 1987, você acha isso saudavel? |
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Lulu
Santos: foi um pouco antes de 87, foi a primeira vez que eu experimentei
o gosto de 800 mil copias, tanto no bolso quanto ali, na listagem.
Não, não faz porquê o píor que pode acontecer
é acostumar muito as pessoas. Uma vez eu tive esse diálogo,
eu estava dirigindo, andando de carro, veio uma menina com o namorado
emparelhou com o meu carro, olhou prá mim e disse “aqui
tem seu disco novo”, e era uma coletanea, a música
mais nova que tem aí tem oito anos, e ela respondeu “mas
essa é que é a boa”! A coisa mais dificil, talvez
seja o material novo competir com tudo isso que já ficou
consagrado. Por outro lado, essas coletaneas, sozinhas, venderam
algo quase em torno de 3 milhoes de discos. |
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| Carlos
Garcia: Bom, deixando as coletaneas de lado, Lulu Santos,
o que você gostaria de ouvir aqui na Rádio Costa Verde,
ainda não Pop Star, vamos deixar essa música prá
encerrar o nosso bate-papo, mas o que você quer ouvir do disco
novo? |
| Lulu
Santos: O que eu acho que possivelmente vai ser a minha próxima
música de trabalho, se fosse só a minha opinião
já era a música se chama Vale de Lágrimas |
| Carlos
Garcia: Lulu, você acha que vem de quê, é
feeling? Você escreveu prá Som Tres, prá revista?
O fato de você Ter escrito prá revista ou Ter produzido
trilhas prá novelas? Você pode falar que é a
“experiência” porquê você, em 1987,
quando você estava com a turnê do álbum “Toda
a Forma de Amor você” passou pelo Festival de Montreux,
na Suíça, não passou? . |
Lulu
Santos: Foi em 1988, eu fiz um show lá no Festival dentro
da Noite Brasileira. |
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Carlos
Garcia: Carlos Garcia: Você não gostou? Porquê
até então você foi o primeiro a quebrar isso
todos os artistas que passaram desde que a Noite Brasileira foi
criada gravaram discos lá e você não, foi lá,
depois gravou em Sâo Paulo “Amor à Arte”.
Teve também quando te chamaram prá gravar um álbum
só de versões, teve o sucesso “De Leve”
não foi isso? |
Lulu
Santos: Não isso foi muito no início da minha carreira
quando eu estava sendo dispensado da gravadora Warner. Depois dos
tres primeiros compactos e no momento em que a gravadora resolveu
me dispensar eu era o autor da música mais executada no Brasil
que era “De Repente California” aí eu fui perguntar
pro diretor Heleno de Oliveira, um sujeito sério, um amigo
que eu tive na indústria fonográfica, não está
mais o ramo porquê não tem mais saco tem mais o que
fazer na vida, mas eu fui sentar com ele e disse “tudo bem,
voces querem me dispensar” agora vem cá, porquê
é que voces estão dispensando o autor da canção
de maior sucesso no rádio atualmente? Ele então falou
você grava “De Repente California” e eu respondi
claro, sem problema nenhum. Você grava outros covers? Porque
que eu vou gravar outros covers se eu sou o autor dessa canção,
vou gravar outras canções desse mesmo autor. Aí
disseram, está bom, vai lá e grava, foi assim que
nasceu meu primeiro disco, “Tempos Modernos”. |
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| Carlos
Garcia: E no festival você achou melhor gravar aqui
no Brasil? |
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Lulu
Santos: Nunca me foi proposto que gravasse aquilo não. Eu
acho que era Gil, Elis Regina, a Warner tinha essa coisa de gravar
os festivais e os shows, a verdade era essa e na época eu
estava na RÇA que é a avó, vamos dizer assim,
dessa gravadora que eu estou agora, a SONY/BMG! |
| Carlos
Garcia: Esse é Lulu Santos aqui na Costa Verde.
Lulu, e as parcerias hein? Essa é sua primeira incursão
ao gravar? Você já gravou Gilberto Gil, Caetano, Jorge
Maltner, teve Milton Nascimento , mas é sua primeira incursão
em regravar alguém do pop-rock? |
| Lulu
Santos: É, acho que sim!. |
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| Carlos
Garcia: Na época voce gravou Marina, com Fulgaz |
Lulu
Santos: É mas a Marina é mais fronteiriça,
fica entre o pop-rock e a molecada dos grupos. Mas eu não
acho que o que a Marina fazia muito diferente do que eu propunha
no meio da década de oitenta, eu achava até que tinha
um certo encontro porque eu queria escapar um pouco da gravidade
da atmosfera pop-rock, experimentar outras coisas e por outros lados
e talvez trazer isso de volta prá dentro dessa atmosfera.
Mas eu já regravei o que eu acho que não é
pop-rock mas eu acho que é popíssimo que é
“De leve”, que foi a minha primeira música de
trabalho, foi um cover da Rita Lee e Gilberto Gil. Mas eu acho que
o cover que eu mais popularizei ao ponto de as pessoas chegarem
a confundir com uma composição, como se ela fosse
minha, é “Descobridor dos Sete Mares" |
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| Carlos
Garcia: Esse é Lulu santos na Costa Verde Fm, a
Vibe do seu Rádio. Ele está lançando seu disco
novo, “Letra & Música”. Lulu, vamos ouvir
mais uma do disco, qual a que você escolhe? |
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Lulu
Santos: Vamos ouvir “ A Roleta’, que é a segunda
música do disco |
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| Carlos
Garcia: Lulu, esse é o nosso eslogam dos dois anos
de nova programação, a “Vibe”, a verdadeira
vibração. Lulu Santos com o vigésimo disco,
sendo 17 de estúdio e 3 Ao Vivo. Você ficou feliz de
Ter gravado o Ao Vivo Mtv no Rio, você acha que foi bacana,
contribui pela atmosfera, sem bairrismo, pelo primeiro Ter sido
gravado em Sâo Paulo? |
Lulu
Santos: Não, o primeiro não foi gravado em São
Paulo. Ih Carlos, você sabe mais da minha carreira do que
eu. O Amor a Arte é um disco que eu tento realmente esquecer,
aquilo não foi um bom passo, porquê eu estava extremamente
gripado quando eu gravei o disco. Eu estava fazendo uma temporada
de enorme sucesso nessa casa de espetáculos de São
Paulo, fiz na primeira e na segunda semana e quando chegou na terceira
semana eu tive uma gripe, daquelas que acaba mesmo com a voz da
pessoa! E no meu caso a gripe ficou embutida dois ou tres dias e
no dia em que ela foi embora eu comecei a expectorar e fazer força
prá tossir e no dia seguinte eu fiquei totalmente afônico,
e o disco foi gravado nessas condições. Já
o disco “Ao Vivo Mtv” foi gravado em dois dias, e eu
tendo a desconsiderar o disco “Ao Vivo Amor à Arte”,
e gravamos em São Paulo porquê estávamos em
temporada em São Paulo, mas não foi nada em especial!
Talvez porque aquilo estivesse fazendo um enorme sucesso, onde estava
e depois o outro foi gravado no Rio também porquê a
rigor é mais barato, você não tem que fazer
um translado de 25 pessoas que trabalham naquele espetáculo,
hospedar e etc, é mais fácil você trazer as
poucas da Mtv que fazem o negócio |
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Carlos
Garcia: Há muito tempo você não pegava
um álbum assim? Não tem parceria, você regravou
João Penca, regravou Gilberto Gil, e as outras 10 músicas
são assinadas por você, errei? |
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Lulu
Santos: Não as outras são assinadas por mim com exceção
de Dim Dom, que é uma parceria com o Bernardo Vilhena |
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Carlos
Garcia: Então são dez músicas do Lulu.
A última vez que você fez isso foi no disco “Lulu”,
de 1986 |
| Lulu
Santos: No Bugalu tinha muitas parcerias? Me ajude a lembrar, Garcia! |
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Carlos
Garcia: Tinha sim, dentre elas a parceria com Marcos Valle |
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Lulu
Santos: É verdade tinha Marcos Valle, Pedro Fortuna e tinha
também Bernardo Vilhena. São muitas canções,
rapaz, com parcerias ou sem elas, são 20 discos e pelo menos
12 canções em cada um deles, é uma quantidade
incrível! Outro dia, há tempos atrás, eu lembrei
de Papo Cabeça, voce lembra dela, foi do disco Honolulu? |
| Carlos
Garcia: Claro que eu lembro, eu entrei no rádio
tocando essa música, ela foi a minha segunda música,
quando estreei no Rádio |
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Lulu
Santos: “...Como vai você, hoje em dia espero que esteja
tudo bem, eu andando tentando ver o lado zen” impressionante,
eu tinha esquecido como é que se tocava essa canção,
eu fui no meu site, estava indo disco por disco, toquei essa música
e disse puxa essa música é ótima! Realmente
eu começo a me esquecer! |
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Carlos
Garcia: Pois é, essa pergunta era prá falar
das parcerias, você já gravou com Antonio Cicero, Marcos
Valle, são treze músicas com o seu parceiro de sempre,
Nelson Motta! |
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Lulu
Santos: Treze? Olha o número!! Nunca tinha dado conta disso! |
| Carlos
Garcia: Mas nenhuma, até então, do dito rock
Brasil, porquê isso assim? Você gosta da levada do que
aconteceu de 82 prá cá, depois do estouro de “Você
Não Soube me Amar”, da Blitz, depois da coisa do pop
rock brasil? Você gosta de quem escreve? |
Lulu
santos: claro que eu gosto, gosto muito! |
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Carlos
Garcia: não teve parceria com ninguém do
pop-rock né? |
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Lulu
Santos: No pop rock? Tive com o Herbert talvez! Não, eles
gravaram a música “Assaltaram a Gramática”.
Teve uma parceria em outra canção chamada Outra Beleza,
que o Herbert e eu fizemos e que os Paralamas gravaram! |
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| Carlos
Garcia: Bom Lulu, nesse disco você foi escolher a
música do Joâo Penca, “Pop Star”? Quando
você escolheu a música deles você tinha essa
intenção? Porquê João Penca? É
uma banda “bem carioca” “para os cariocas”!
Agora tem uma coisa interessante em você, as suas primeiras
músicas e os seus maiores sucessos são dos anos 80
mas o maior sucesso comercial foi nos anos noventa! |
Lulu
Santos: É verdade, eu só fui vender 1 milhão
de cópias de um disco com o Memê, “Eu e o Memê”!
E também o fato de “Assim Caminha a Humanidade”
Ter sido uma canção tão importante prá
minha carreira, essa música foi de 94, então eu acho
que essa coisa de anos oitenta é uma exemplificação.
Tanto que um dos projetos que mais acalento para o futuro é
lançamento de duas caixas com 20 discos, prá não
ficar pesado principalmente no bolso. E tem um gancho legal, um
como fez o nosso Roberto Carlos, de fazer uma caixa dos anos oitenta
e uma caixa dos anos 90, e os dois vão ter que se dividir
entre “Como Uma Onda”, “Assim Caminha a Humanidade”
ou “Descobridor dos Sete Mares”. |
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Carlos
Garcia: Essa regravação, do João Penca
então, não tem nada a ver com os anos 80?. |
Lulu
Santos: Um pouquinho, e porque não? Eu acho que não
tem o menor problema. É um pouco porque se está no
ar esse pensamento, se estão regorjitando a década
de 80 eu pelo menos tenho o privilégio de não ser
uma regorjitação, eu estou continuamente na estrada
desde aquela época. E prá mim é um pouco confortável
e interessante de ter oportunidade de no meu patamar de vigência
resgatar uma coisa nessa onda que a própria sociedade, por
si, está querendo ver melhor agora.Eu não tenho nenhum
problema que isso esteja associado ao ressurgimento da década
de oitenta. Eu tenho uma ligação pessoal com os meninos
do João Penca, participei dos 3 discos que eles fizeram e
na realidade a canção nunca me abandonou eu sempre
achei que em algum momento ía calhar dizer essa frase “
dizem que eu sou new wave demais”! |
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| Carlos
Garcia: Vamos ouvir então do grupo carioca João
Penca, aqui ná Rádio costa Verde Fm, com Lulu Santos.
Essa música é de 86, de um álbum bem bacana
que tinha Romance em Alto Mar, Lágrimas de Crocodilo |
“Psicodelismo
em Ipanema, todo mundo fora do sistema”! |
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| Carlos
Garcia: Costa Verde Fm, a Rádio que tem Cara do
Rio. Enquanto você estava ouvindo Pop Star, com Lulu Santos,
ele estava falando comigo sobre cultura musical. Porque muito do
que ele produziu foi minha cultura musical. Eu vou te fazer uma
pergunta, quando foi que você se sentiu, pela primeira vez
você algo e disse “como isso é bom, como música
é legal. O que você ouviu que o emocionou? |
Lulu
Santos: Ah rapaz, a minha relação com música
é quase de bebê, eu tenho uma memória incrivel.
Eu lembro que com 4 anos de idade parava com uma moça que
trabalhava lá em casa, na frente da vitrola tentando fazer
o disco tocar rápido porquê a minha música favorita,
que eu gostava, estava tocando devagar e aquilo me entristecia muito.
O dia já estava chuvoso feio e triste e a minha música
estava estranha, eu não entendia o que era e eu queria puxar
o disco rápido. Então música é um pouco
do entendimento que eu tenho de mim mesmo, porque é a coisa
mais antiga na minha vida, é a coisa que traça o que
eu sou hoje do que eu era quando bebê |
 |
| Carlos
Garcia: Eu acho que com essa sua dita “ocorrência”
você me deu uma “salvada” porque eu sempre amei
a música, lia tudo sobre música, até que entrei
para o Rádio, aí você começa a ficar
profissional, frio, já estava na segunda e indo prá
terceira rádio, como Coordenador é uma coisa que já
muda tua cabeça, você não é mais a mesma
coisa. Eu fui assistir a um show seu em janeiro de 93 e até
então não tinha sentido isso, nem no rádio,
nem ouvindo música no rádio, nem trabalhando, em shows.
Quando você começou a tocar fevereiro, era a turnê
do disco “Mundo Cani”, foi na periferia do Rio de Janeiro,
foi em um lugar chamado Santa Cruz, em janeiro de 93. Quando você
começou a tocar Fevereiro eu me emocionei! |
|
Lulu
Santos: Porquê?. |
| Carlos
Garcia: Não sei, não tem explicação |
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Lulu
Santos: Estranho, porque não era música de rádio,
música de trabalho |
| Carlos
Garcia: Foi uma música que mexeu comigo absurdamente
ao ponto de eu dizer pôxa, como vale à pena, como é
bom estar aqui! |
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Lulu
Santos: como é bom estar descobrindo as coisas. Sem essas
coisas de pensar que você chegava a um patamar em que já
descobriu e viu tudo! |
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Carlos
Garcia: No coração, sabe aquela coisa de
mexer e você pensar “porquê que estou assim”?
Já tinha assistido a shows do Kid Abelha, Ultrage a Rigor,
mas o seu show eu nunca tinha assistido |
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Lulu
Santos: Foi o primeiro?. |
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Carlos
Garcia: Foi, e aquilo marcou absurdamente ao ponto de eu
começar a encarar, a partir dali, em janeiro de 1993, de
recuperar o fôlego com música |
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Lulu
Santos: Foi daquilo voltar a ser importante prá sua vida
e não apenas prá vida profissional! E você não
imagina, isso também ocorre periodicamente com a gente porque
tem horas que a gente acha que já viu tudo, já viveu
tudo e está ficando um pouco profissional de fazer aquilo,
ainda que profissionalismo seja uma coisa que todo o mundo deva
realmente correr atrás no seu ramo, na sua atividade, nunca
se deve deixar que aquilo se transforme em uma forma de ceticismo
porquê é muito ruim, porquê esse ceticismo vai
impedir você de ter prazer, e ter aventuras, como você
mesmo disse, que sentiu uma coisa dentro do coração! |
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| Carlos
Garcia: Lulu Santos aqui na rádio costa Verde Fm,
vamos liberar Lulu Santos prá almoçar, está
toda a equipe esperando. Lulu eu quero agradecer à sua presença
aos estúdios da Costa Verde, pela primeira vez, te desejar
boa sorte nessa turnê, eu acho o álbum um dos melhores,
adorei Manhas e Mumunhas, gostei muito mesmo, assim como gostei
de Gambiarra. Acho o disco muito bacana. |
Lulu
Santos: Bom, primeiro queria te dizer que foi mesmo um prazer ,
com sinceridade, conversar com você, porquê o interesse
que você tem do que eu produzi, muitas vezes você até
me corrigiu em alguns lances que eu não lembrava, em música
é raro de se encontrar alguém assim e também
a seriedade com que você faz isso. E parabenizar você
como Coordenador da rádio Costa Verde pelo fato de ter tanta
gente interessada em ouvir ao ponto de a rádio estar “do
meio prá cima” entre as mais ouvidas no ranking das
Rádio do Rio de Janeiro. Um beijo enorme prá quem
está aí do outro lado, na Zona Oeste, eu sempre tive
uma relação de proximidade, sempre estive tocando
em Santa cruz, e em Jacarepaguá, estamos aí, obrigado
a você mais uma vez! |
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