Nos
últimos seis anos o mundo conheceu notável transformação,
especialmente no domínio das relações internacionais.
De fato, a passagem do século foi marcada por um conjunto
de eventos de forte impacto como, sucessivamente, a Guerra do
Kosovo, a crise do Mercosul, o contínuo crescimento da
China, a ascensão dos presidentes Putin e Bush, um novo
ciclo de violência Israel-Palestina, os atentados terroristas
de 11 de setembro de 2001, as guerras do Afeganistão e
do Iraque, a crise da ONU e das alianças americanas como
a OTAN, a expansão e os impasses da União Européia
e o avanço da agenda internacional de segurança
em detrimento da comercial.
Na
verdade, este ciclo de crise representa uma manifestação
do choque de diferentes tendências e interesses, que se
debatem numa luta para estabelecer uma nova ordem mundial em lugar
daquela da Guerra Fria. A China cresceu a um ponto em que está
se tornando difícil acomodar seu novo poder ao sistema
mundial sem que haja uma redefinição na hierarquia
e na configuração do mesmo. Ao mesmo tempo os Estados
Unidos resistem em ceder espaço de poder aos novos atores
emergentes, gerando o dilema nova hegemonia americana ("unipolaridade")
ou multipolaridade.
Este
processo é potencializado pela tendência à
regionalização, isto é, a criação
de pólos regionais de poder decorrentes das integrações
entre países vizinhos. Isto decorre de um movimento econômico
objetivo, nos marcos da globalização e da revolução
tecnológica que, por sua vez, produzem a ascensão
internacional de países de grande porte, Estados-pivô
das integrações regionais. É o caso da Índia,
do Brasil, da África do Sul e, desde outra perspectiva,
da Rússia, que busca recuperar um papel diplomático
de destaque.
Paralelamente
a estes fenômenos, o próprio sistema político
e estrutura social de todos os países se transformam aceleradamente,
assumindo a forma de uma crise civilizacional. Assim, nos marcos
da estagnação demográfica e envelhecimento
populacional que ocorre nos países da OCDE, se encerra
um grande ciclo de cinco séculos de ocidentalização
do mundo. Desta forma, não é apenas a posição
relativa das grandes potências que está se alterando,
mas a própria essência do sistema internacional.
Ao
longo deste período mantive esta coluna semanal no portal
terra, numa parceria se encerra com este artigo. Durante esses
seis anos, recebi mails de leitores de todo o Brasil e de países
europeus e africanos que foram muito gratificantes. Espero que
com meu trabalho tenha contribuído para o desenvolvimento
do estudo das relações internacionais. A partir
de agora meus artigos estarão disponíveis no site
www.ilea.ufrgs.br/nerint, de acesso gratuito. O Núcleo
de Estratégia e Relações Internacionais da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde sou professor
Titular, estará à disposição dos interessados.
Muito obrigado pela atenção recebida.
Fonte: http://educaterra.terra.com.br/educacao/