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Sociedade deve pressionar para o fim do nepotismo
O
nepotismo não é novidade na política brasileira,
mas ele voltou à tona com as afirmações do
presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti. Ao
ser perguntado sobre as contratações de seus parentes,
o deputado disse que não há nada demais já
que todos eles têm nível superior.
Competências à parte, a contratação de
parentes nos três poderes é um assunto que vem mobilizando
vários setores da sociedade civil. Cláudio Abramo,
da Transparência Brasil - organização fundada
em abril de 2000 e dedicada exclusivamente a combater a corrupção
- diz que a única maneira de diminuir os abusos é
"reduzindo drasticamente o número de cargos de confiança".
Para ele, esse número deve girar entre 5 ou 7 pessoas que
poderiam ser nomeadas com algum critério.
A
Ordem dos Advogados do Brasil também entrou nesta discussão.
O vice-presidente da OAB, Aristóteles Ateniense, diz que
a melhor maneira de acabar com o problema é proibir a contratação
de parentes em todos os poderes. Ele diz que os cargos de confiança
podem continuar existindo, mas os parentes deveriam ser proibidos
de ocupá-los e é necessário criar modos de
aferir a competência de quem ocupa essa função.
"Essa confiança não pode ser tão desmedida."
Aristóteles
diz que a sociedade não pode mais permitir que a situação
continue como está "não pode abrir a porteira
e deixar a boiada entrar". O vice-presidente da OAB afirmou
que a melhor contribuição da sociedade neste momento
é a pressão. "Uma sugestão é ligar
para o seu deputado ou mandar e-mails cobrando sua posição",
completa.
Para
o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), autor do PEC
(Projeto de Emenda à Constituição) 128/2003
que dispõe sobre o nepotismo, mesmo com as opiniões
do presidente da Câmara, o momento é favorável
para a discussão da questão.
Biscaia
diz que a pressão da opinião pública é
fundamental nesta hora. Segundo ele, aconteceu isso quando foi cogitado
o aumento de salário para os deputados. "Os e-mails
(dos deputados) foram bombardeados com mensagens. Foi uma vitória
da opinião pública."
Para
Biscaia, seu projeto - que prevê a proibição
em todos os poderes, nas fundações e autarquias -
não fere o princípio da isonomia. "Se todos forem
iguais, não há porque alguém favorecer um parente",
completa.
Perguntado
se o Partido dos Trabalhadores, agora no governo, irá apoiar
o projeto, o deputado afirmou que sim, que o PT continua favorável
ao fim do nepotismo.
Fonte: http://educaterra.terra.com.br/educacao/
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