
Jornada nas Estrelas e a estrela Nemesis
Olá
e felicidades por este espaço. Sou um autêntico fã
de Jornada nas Estrelas e não entendi direito o episódio
Nemesis. A questão é: o nome do título me
lembra uma estrela que pode ser a causa da extinção
dos dinossauros. Poderiam explicar algo mais sobre isto? Obrigada.
Um abraço.
Em 1980, a
revista Science publicou um artigo do prêmio Nobel Luis
Alvarez, seu filho Walter Alvarez, Frank Asaro e Helen Michel,
da universidade de Berkeley, que, sob o nome de Causa extraterrestre
da extinção cretácio-terciario, expunha pela
primeira vez a possibilidade de que corpos externos a nosso planeta
foram os causadores das diversas extinções massivas
da história da Terra. No caso particular dos dinossauros,
se mencionava o choque com um meteorito como causa mais provável
para sua extinção, a cerca de 65 milhões
de anos.
A evidência que apoiava esta tese era a existência
de irídio em uma fina camada de argila na fronteira que
marca o período Cretácio e Terciário nos
estratos geológicos. Como o irídio é raro
em nosso planeta foi levantada a possibilidade de que tivesse
origem extraterrestre.
Mas, a extinção
destes répteis gigantes não foi a única que
atingiu nosso planeta... e aí entra Nemesis, que surgiu
como hipótese para explicar o mecanismo causador das extinções
em massa na Terra. Conforme esta tese, a cada 25 ou 30 milhões
de anos, nosso planeta se vê exposto a um aumento do número
de cometas que cruzam sua órbita, aumentando assim a probabilidade
de um choque contra a Terra.
Este fenômeno
funcionaria como uma tempestade espacial que duraria de 100 mil
a 2 milhões de anos. Estima-se que durante este período
aconteceriam em média dez grandes impactos a intervalos
de 50 mil anos. Estes choques poderiam desencadear uma série
de processos ecológicos que teriam como conseqüência
a destruição da maior parte da vida no planeta,
fosse animal ou vegetal.
Nemesis, uma
estrela girando em torno do Sol?
Nosso Sol é de certo modo uma estrela atípica por
ser solitário, já que aproximadamente 50% das estrelas
do Universo constituem sistemas duplos. Nemesis seria a hipotética
companheira do Sol nesse hipotético sistema duplo de estrelas.
Nemesis se moveria em uma órbita elíptica em torno
do Sol com um período de cerca de 30 milhões de
anos.
Este astro
nunca foi visto. Assim, se existir deve ter uma luminosidade extremamente
baixa, podendo se tratar de uma estrela anã marrom pré-seqüência
principal (uma estrela cuja massa não alcança a
massa mínima estelar para iniciar a queima de hidrogênio,
fonte de luminosidade das estrelas). Mas "ver" um astro
não é o único modo de provar que ele existe,
efeitos gravitacionais também nos permitem inferir a existência
de corpos espaciais, mas nem disto há evidências
para comprovar esta teoria.
Supõe-se
que a massa de Nemesis perturbaria gravitacionalmente nosso Sistema
Solar: aproximadamente a cada 30 milhões de anos, a estrela
atravessaria a Nuvem de Oort, uma zona situada nos confins de
nosso sistema solar, de onde saem muitos dos cometas que nos visitam.
Sua trilha afetaria as órbitas destes cometas, lançando
muitos deles contra a Terra, produzindo assim esse aumento periódico
de atividade cometária contra nosso planeta.
A primeira
referência científica sobre Nemesis foi publicada
na revista Nature em 1984, em um artigo o astrofísico Richard
Muller, da universidade de Berkeley, que levantou grande polêmica.
Atualmente, Muller junto com os físicos Carl Pennypacker,
Frank Crawford e Roger Williams procuram evidências da existência
desta estrela.
Por outro
lado, é sabido na comunidade científica que as órbitas
das estrelas dos sistemas binários se aproximam entre si
com o passar dos anos. Eventualmente estes corpos se chocam devido
à perda de energia e momento angular por radiação
de ondas gravitatórias. Logo, se Nemesis existir realmente
como companheira binária do Sol, deveríamos poder
observar uma mudança significativa ao longo dos anos na
órbita desta estrela, como podemos fazer no sistema binário
PSR1913+16.
Até
agora, não há evidências da existência
de tal estrela e muitos fatos demonstram o contrário, como
ocorre sempre em Ciência, na qual a evidência empírica
é o único juiz. Até que tenhamos uma prova
incontestável, Nemesis não passara de uma hipótese.
Fonte: http://educaterra.terra.com.br/educacao/