MEC
quer pré-escola no ensino fundamental
O Ministério da Educação (MEC) estuda um
plano de 14 itens para modificar a educação básica
brasileira. Entre as propostas estão a divisão do
ensino médio entre preparação para o vestibular
e para o mercado, a criação de um currículo
mínimo nacional que oriente o trabalho do professor e a
ampliação do ensino fundamental de oito para nove
anos.
O
documento chamado de Choque de Qualidade no Ensino Básico,
foi elaborado a pedido do ministro Tarso Genro pelo presidente
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep),
Eliezer Pacheco. "Há uma relação direta
entre a má qualidade da alfabetização e o
abandono escolar", diz Pacheco, justificando a proposta de
tornar a pré-escola também obrigatória, aumentando
assim a duração do ensino fundamental, que hoje
começa na 1.ª série.
Os
números do Inep mostram que de cada 100 alunos que iniciam
o fundamental, só 51 o concluem. Quase 60% dos que terminam
a 4.ª série não sabem ler corretamente.
Ênfase
no conteúdo - Segundo Pacheco, outros itens propostos,
como uma qualificação dos professores com ênfase
no conteúdo - e não apenas na metodologia - e a
definição do currículo mínimo, também
amenizariam o problema. "É preciso dizer: ´O
mínimo de história que o professor precisa saber
é isso aqui´", afirma. Hoje o que existe na
legislação educacional são os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs), de 1996, que focam menos no conteúdo
e mais nos objetivos de cada área, expectativas de aprendizagem
etc. O ministério pretende premiar - com bonificações
e computadores - os melhores professores. O documento também
propõe atualização permanente dos profissionais,
fornecida pelas redes públicas, e até uma renovação
da licenciatura a cada cinco anos.
Avaliação
- Há mudanças também previstas para o Sistema
de Avaliação do Ensino Básico (Saeb). O exame,
hoje feito por amostragem, seria aplicado em todas as escolas
do País. "Precisamos saber, por exemplo, se existe
problema de evasão em Garanhuns", diz Pacheco, citando
a cidade onde nasceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Saeb incluiria ainda uma avaliação da alfabetização
infantil. Os números mais recentes mostram que o Brasil
tem 47 milhões de alunos na educação básica.
O custo de uma avaliação universalizada seria de
quase R$ 400 milhões. O MEC costumava gastar com o Provão,
por exemplo, cerca de R$ 20 milhões.
Profissionalizante
- Para o ensino médio, o projeto do MEC sugere dois anos
iniciais obrigatórios e básicos para todos. Depois,
o aluno poderia optar por mais um ano, voltado ao ingresso na
universidade, ou dois anos, com caráter profissionalizante.
O documento preparado por Pacheco já foi entregue ao ministro
e será debatido internamente no MEC. As propostas exigem
projetos de lei para que se tornem obrigatórias.
Fonte: MEC