MEC
quer reunificar ensinos médio e técnico
O governo estuda reunificar o ensino médio com o ensino
técnico, revogando decreto do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso que separou os dois níveis. A idéia é
permitir que escolas profissionalizantes e mesmo as da rede pública
tradicional ofereçam um curso de nível médio
com formação técnica, o que aumentaria pelo
menos de três para quatro anos a duração do
ensino médio. A adesão à nova modalidade
seria voluntária tanto da parte do aluno quanto da rede
de ensino. Com uma minuta de decreto já pronta, o Ministério
da Educação (MEC) anunciou ontem sua nova estrutura,
em que justamente a Secretaria de Educação Média
e Tecnológica deixa de existir, com os dois níveis
de ensino passando a fazer parte de secretarias diferentes, apesar
do estudo para reunificá-los.
A
reestruturação foi apresentada pelo ministro Tarso
Genro, que decidiu suspender projetos lançados no ano passado
pelo antecessor e agora senador Cristovam Buarque (PT-DF). Na
nova estrutura, o ensino técnico ficará sob responsabilidade
da recém-criada Secretaria de Educação Profissional,
enquanto o ensino médio passará para a antiga Secretaria
de Educação Infantil e Fundamental, agora Secretaria
de Educação Básica. Para o secretário
de Educação Profissional, Antônio Ibañez,
não há problema no desmembramento da Secretaria
de Educação Média e Tecnológica -
da qual era titular desde a gestão Cristovam. Isso porque
haverá câmaras para cuidar de assuntos afins a mais
de uma secretaria. A minuta de decreto presidencial revoga decreto
assinado por Fernando Henrique em 1997. Segundo Ibañez,
os governos do Paraná e Espírito Santo estão
dispostos a adotar o modelo. A mudança vem sendo discutida
desde o ano passado e sua versão final será apresentada
a entidades educacionais na terça. "A evasão
escolar diminuirá e quem não tem condições
de ingressar na faculdade terá uma alternativa de vida",
disse Ibañez, informando que apenas 20% dos vestibulandos
no País entram na faculdade. O coordenador do ensino técnico
do Centro Paula Souza, Almério de Araújo, entende
que a proposta pode causar maior evasão. "O estudante
pode resolver fazer mecânica e depois desistir. Mas, se
ele deixar o curso, vai estar deixando também o ensino
médio", diz. Segundo ele, o decreto lembra a legislação
dos anos 70, quando toda escola de ensino médio era obrigada
a oferecer ensino técnico. Fusão - A reforma no
MEC criou também a Secretaria de Educação
Continuada, Alfabetização e Diversidade, resultado
da fusão da Secretaria Extraordinária de Erradicação
do Analfabetismo com a de Inclusão Educacional. O objetivo
é que jovens e adultos alfabetizados continuem estudando.
Tarso
chamou o MEC de Ministério da Educação e
Cultura e brincou com o engano - o da Cultura é dirigido
pelo ministro Gilberto Gil. "Agora vão dizer que,
além de desestruturar o Cristovam, vamos pegar o Gil",
brincou, esclarecendo que a reformulação busca aprimorar
as ações do governo e só foi possível
graças ao "bom" trabalho do antecessor. Ele admitiu
a falta de verbas para tocar adiante boa parte de seus projetos.
Entre as iniciativas de Cristovam agora suspensas estão
a ampliação do programa Escola Ideal, a certificação
e pagamento de bolsas a professores e a compra de uniformes escolares.
Fonte: O Estado de São Paulo