Mundo do publicitário
vai além da criação
A carreira de publicidade é associada à
criatividade, a comerciais milionários, ao glamour e a
muito dinheiro. Em termos, isso não deixa de ser verdade
- ainda que para poucos. O mundo encantado da propaganda esconde,
porém, muitos outros segredos, que passam longe do olhar
desatento da maioria dos candidatos a uma vaga nas boas faculdades
do ramo.
A área de criação, de maior
status e a mais divulgada na mídia, é só
um lado da profissão. Não por acaso é também
"a mais competitiva e a que exige mais dedicação
pessoal". A opinião é de Ricardo Freire, diretor
de criação da Lew, Lara e criador de slogans como
"Não é nenhuma Brastemp" e "Folha,
não dá pra não ler".
"Há a tendência de achar que
a carreira tem que ser exercida dentro da agência e, ainda,
na criação. No entanto o campo é enorme fora
da área de criação e principalmente fora
das agências", afirma Pedro Cappeletti, diretor de
criação da DM9DDB.
Uma agência envolve outras áreas
como o atendimento, que é o elo entre a agência e
o cliente e trata de questões como o orçamento disponível
e as pesquisas de mercado. O pessoal de mídia decide quais
os melhores veículos de comunicação para
cada anúncio e o valor dos espaços. A área
de planejamento é responsável pelos custos da produção,
lançamento e exibição das campanhas.
Para o aluno interessado em publicidade, o contato
com a mídia é fundamental. "Vá ao cinema,
assista TV, leia jornal, ande pelas ruas, converse com as pessoas
e veja o trabalho dos camelôs", sugere Jairo Carneiro,
vice-presidente-executivo da ABP (Associação Brasileira
de Propaganda).
A prática é fundamental para a área.
"Comece a estagiar o mais rápido possível.
Saiba que você vai precisar investir muito em estágios
mal remunerados para aprender a profissão", diz Freire.
As empresas juniores têm justamente o papel
de iniciar os alunos na vida prática da profissão.
Na agência ECA Júnior, os alunos da ECA (Escola de
Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São
Paulo) fazem anúncios para pequenas e médias empresas.
O principal trabalho da ECA Júnior é a campanha
da Fuvest. "Fazemos a capa do manual e os cartazes de divulgação",
diz Bruno Procópio, 19, diretor de criação
da empresa e aluno do 2º ano. Todos os participantes são
muito jovens e estão no 1º ou 2º ano do curso.
Para a professora de publicidade da ECA, Sandra
de Souza, os estudantes estão preocupados em fazer estágio
muito cedo. "Hoje eles (os alunos) não se contentam
apenas com a empresa júnior. Eles querem ir logo para o
mercado. A empresa júnior virou um pré-estágio",
diz Sandra. A professora acredita que a ansiedade prejudica a
formação dos alunos: "Nessa fase deve-se dar
mais atenção ao estudo. Há o tempo natural
para o início da carreira".
Para Fabio Fernandes, presidente e diretor de
criação da F/Nazca S&S, eleita a agência
de publicidade do ano no Festival Internacional de Publicidade
de Cannes de 2001 (o maior e mais prestigiado festival da propaganda
mundial), o aluno talentoso é aquele que aprende a teoria,
mas que também tem senso crítico para saber subverter
os paradigmas, quebrar regras e inovar.
Na avaliação
do diretor do curso de comunicação da ESPM (Escola
Superior de Propaganda e Marketing), Luiz Fernando Garcia, mais
importante do que formar profissionais para o mercado é
tentar enxergar como vai ser o mercado no futuro. "Entre
as tendências está a comunicação direta,
dirigida a grupos cada vez menores", afirma Garcia. O diretor
chama a atenção para mercados que estão se
formando fora do eixo Rio-São Paulo e para novos nichos
como o marketing cultural, esportivo e ecológico
Fonte: http://www2.uol.com.br/aprendiz/guiadeempregos/estagios/info/artigos_011001.htm