Sindicato
prevê fechamento de 30% das escolas particulares
O presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino
no Estado de São Paulo), José Augusto Mattos Lourenço,
prevê que cerca de 30% dos estabelecimentos de pré-escola
e ensinos fundamental e médio fechem as portas dentro de
três anos. O setor emprega atualmente cerca 360 mil professores
em mais de 6.000 escolas no Estado. A previsão foi feita
depois da análise de um censo escolar encomendado pelo
Sieeesp, com base em dados do IBGE (Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatísticas), Secretaria Estadual
de Educação e Inep (Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais).
Segundo
o censo, o número de escolas particulares cresceu 135,8%
no Estado de São Paulo (de 2.564 para 6.047) entre 1996
e 2003. No mesmo período, a quantidade de alunos nessas
instituições subiu apenas 14,8% (de 1,133 milhão
para 1,301 milhão). Entre 2002 e 2003, o número
de escolas particulares cresceu 6,52%, enquanto a quantidade de
alunos aumentou 1,88% --seguindo a tendência registrada
nos últimos sete anos.
Crise
econômica - "Não estamos perdendo alunos para
a rede pública, como se acreditava", afirmou o presidente
do sindicato. "O que há é uma migração
muito grande dos alunos entre as particulares. Só vão
sobreviver as escolas que conseguirem gerenciar muito bem os gastos",
analisa Lourenço, que diz não ter um estudo sobre
as eventuais demissões no setor. Uma das alternativas para
superar a crise, segundo Lourenço, é a fusão
--tanto de classes quanto das próprias instituições.
Segundo dados do sindicato, os estabelecimentos com mais de 500
alunos representam 11,9% do total no Estado, mas concentram 49,8%
dos alunos. As escolas com até cem alunos são 52,8%
e possuem apenas 10,1% dos estudantes. ourenço aponta como
problemas para o setor --além da concorrência acirrada--
a falta de crescimento econômico do país. Ainda não
há a porcentagem de inadimplência de 2004 nas escolas
particulares de São Paulo, mas a taxa de 2003 foi de 10,8%,
contra 7% de 2002 e 3% de 2001.
O
preço da mensalidades nas escolas particulares do Estado
de São Paulo varia de R$ 100 a R$ 3.000. "O quadro
pode mudar um pouco se houver uma retomada econômica, principalmente
para a classe média, que corresponde a boa parte dos nossos
alunos", afirmou Lourenço. Discordância - O
vice-presidente do Sindicato dos Professores da Rede Particular
de São Paulo (Sinpro-SP), Fábio Zambon, acha que
as escolas não estão em situação tão
ruim. A crise é usada para "evitar o pagamento do
dissídio", segundo ele. Os professores reivindicam
16,42% de aumento, porcentagem estabelecida pelo Tribunal Regional
do Trabalho. O Sieeesp pediu esclarecimento dos pontos considerados
imprecisos. A recomendação do sindicato, no momento,
é que as escolas não dêem o reajuste. O dirigente
do Sinpro cita um estudo do Dieese (Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos),
que mostra que no acumulado de janeiro de 1997 até igual
mês de 2004, a taxa de inflação da capital
paulista subiu 72,05%; já as mensalidades de escolas localizadas
na região aumentaram 94,52%. "Isso mostra que eles
não estão mal. Além disso [os aumentos das
mensalidades], os alunos estão voltando para as escolas
particulares. O pior [da crise econômica] já passou",
completou Zambon.
Fonte: Folha OnLine